Safra de inverno terá R$ 3,16 bilhões

Correção de 5% no preço mínimo é considerada insuficiente pela Fecoagro

Três meses após o planejado, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, lançou, ontem, em Curitiba (PR), o primeiro Plano Safra para Culturas de Inverno, com previsão de R$ 3,16 bilhões para custeio, investimento e comercialização. Considerando custeio e investimento, o montante é 14% superior à verba para as mesmas seis culturas na safra passada. Desse total, 90% serão destinados ao trigo, que terá R$ 430 milhões para Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e AGF (Aquisição do Governo Federal) a partir de agosto. Além do reajuste dos preços mínimos após dois anos, o recurso para a subvenção do seguro agrícola foi ampliado em 50% para R$ 60 milhões.
O setor tritícola considerou as medidas satisfatórias, apesar de o cenário não ser dos melhores. Nos últimos 40 dias, o preço dos insumos subiu 10%, impulsionado pelo dólar e pela cotação da soja. Além disso, considerada somente a inflação do período, o reajuste do preço mínimo teria de ter sido de 15% e não 5%, conforme o concedido pelo governo, chama atenção o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno, Rui Polidoro Pinto. Para ele, também presidente da Fecoagro, o ideal seria que o anúncio tivesse ocorrido com 30 dias de antecedência do plantio para dar maior segurança à decisão no campo. "O Paraná já plantou, e no Estado o cultivo está iniciando." Já o presidente da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, valorizou o pacote frente ao cenário desfavorável. "É uma injeção de ânimo para a recuperação de renda." O secretário de Política Agrícola do Mapa, Caio Rocha, informou que, para o ano que vem, a ideia é lançar o plano em fevereiro. Um dos empecilhos citados é a negociação entre ministérios.
Na safra 2011, apesar do Estado ter obtido uma das melhores produtividades no país (2,4 mil quilos/ha), a margem de lucro foi de apenas uma saca, segundo a Fecoagro. Já para cobrir o custo total, foi necessário produzir 39 sacas por hectare. Neste ano, a tendência é de alta. O estudo da Fecoagro sai neste mês. Já a Farsul estima que a despesa subiu de R$ 1,1 mil para R$ 1,5 mil por hectare. Assim, pode faltar dinheiro para o financiamento.
O pacote anunciado
Para escoar safra prevista em 5,8 milhões de t:
– R$1,5 bilhão para custeio e investimento;
– R$ 1,17 bilhão para a comercialização;
– R$ 100 milhões em AGF (300 mil t) entre setembro a dezembro;
– R$ 330 milhões de PEP (2,5 milhões de t), a partir de agosto.
Reajustes
– Aveia: 7,8% (R$ 17,25/sc*);
– Canola: 13,1% (R$ 31,96/sc);
– Cevada: 1,6% (R$ 22,68/sc);
– Girassol: 19,3% (R$ 30,64/sc);
– Triticale: 4,8% (R$ 17,92/sc);
– Trigo: 5% (R$ 501,00 a t).
* De julho/12 a julho/13
Fonte: SPA/Mapa

Fonte: Correio do Povo

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