Sacrilégio

Não há restrições ao consumo de carne de cavalo desde que os animais sejam abatidos em condições sanitárias adequadas, e esse tipo de carne seja declarado na embalagem ou no cardápio do restaurante. É uma carne tão saudável quanto à de boi, de suíno ou de frango. O tabu que existe, entre nós, é de origem cultural. O cavalo é o amigo e companheiro do homem do campo em sua lida diária. Para o gaúcho, comer carne de cavalo é quase um sacrilégio.
Isso me lembra a história verídica de um amigo fazendeiro, que, na adolescência, decidiu provar, juntamente com outros meninos, a carne de uma égua morta em um acidente a campo. Os guris fizeram um belo churrasco de uma coxa do animal. Comeram e gostaram. Mas, quando meu amigo contou ao pai, tradicional criador de cavalos, o que haviam feito, o velho, furioso, de relho na mão, quase o expulsou de casa… Meu amigo aprendeu a lição: não se brinca com o sagrado.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

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