Russos devem voltar para avaliar frigoríficos

Rio Grande do Sul pode entrar no roteiro de nova missão técnica do país europeu prevista ainda para este mês

Nestor Tipa Júnior

CLÁUDIA RYFF/DIVULGAÇÃO/JC

Kerber garante que o Estado está apto para atender mercado russo

Kerber garante que o Estado está apto para atender mercado russo

Mesmo com toda a polêmica envolvendo os russos e brasileiros sobre a questão de embargos às carnes suínas e bovinas, o Rio Grande do Sul espera resolver logo o impasse do embargo que já dura dois anos e quatro meses. Uma nova missão de técnicos da Rússia, que já esteve no Brasil na primeira quinzena de julho em visita a 18 estabelecimentos, deve retornar ao País ainda neste mês, e não está descartada a inspeção de frigoríficos gaúchos de carne suína. A confirmação da nova missão ainda depende de respostas de relatórios trocados entre os dois países.
As plantas visitadas seriam as duas da Alibem, de Santo Ângelo e Santa Rosa, além da Cotrijuí, em São Luiz Gonzaga. Conforme o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, um grupo do Ministério da Agricultura deve fazer uma auditoria preparatória nestes estabelecimentos tendo em vista a possibilidade de as indústrias entrarem no roteiro dos russos. O dirigente reforça que as empresas estão aptas para atender ao mercado do país russo. “Estas plantas atendem à premissa básica para acessar o mercado russo, pois não utilizam na nutrição animal nada que possa conter ractopamina”, afirma. A substância, adicionada à ração com o objetivo de aumentar a massa muscular dos animais, foi o principal motivo alegado pelos russos para a restrição temporária de embarques de 10 estabelecimentos brasileiros, que começou a vigorar ontem. São um frigorífico de carne suína, da Pamplona, e nove de carne bovina, sendo seis da JBS, dois da Minerva e um da Marfrig. Conforme reportagem do Jornal do Comércio do dia 2 de agosto, o Serviço Sanitário do país do Leste europeu já havia chamado a atenção dos brasileiros sobre problemas identificados nas amostras de produtos analisados durante a missão.
O Ministério da Agricultura, em reunião com representantes da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) se reuniram na última semana para definirem estratégias que impeçam as restrições temporárias às empresas. Governo e entidades do setor reafirmam que grande parte das considerações do governo russo já vem sendo atendida e um documento reiterando as ações que estão sendo desenvolvidas pelo setor privado com acompanhamento do governo brasileiro está sendo elaborado pelo ministério.
Para o presidente da Abipecs, Rui Vargas, as medidas são, na realidade, restrições para proteger o mercado local. “Quando isso ocorre, todos os países recorrem a eventos sanitários e a Rússia usa e abusa deste expediente”, declara. Até agosto, a Rússia se manteve no topo do ranking das exportações de carne suína nos oito primeiros meses do ano, com o embarque de 94.936 toneladas, gerando uma receita de US$ 278,87 milhões. Na carne bovina, é o segundo principal destino, perdendo apenas para Hong Kong. Entre janeiro e agosto foram exportadas 209.874 toneladas.

Fonte: Jornal do Comércio |

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