Ruralistas aceitam indicação de empresário para pasta da Agricultura

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, passou a defender a escolha de um produtor rural ou empresário do agronegócio, que não seja político nem ligado a entidades sindicais do grande agronegócio para seu Ministério da Agricultura caso seja eleito. A presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputada Tereza Cristina, admitiu ao Valor que a bancada já avalia nomes que se encaixem nesse perfil para entregar ao presidenciável, porém isso só deve acontecer após as eleições, caso Bolsonaro saia vitorioso.

"Até concordo que não deve ser um político. Há nomes competentes no agronegócio que não necessariamente precisam ser de políticos", admitiu Tereza, nome mais lembrado entre parlamentares da bancada ruralista e entidades do agronegócio para o cargo. "Não é hora para isso agora. É preciso ganhar a eleição primeiro. Não definimos nenhum nome."

Tereza nega que seu nome ou de outro colega de bancada foi entregue a Bolsonaro e garante que a discussão deve avançar somente depois do segundo turno das eleições, caso o presidenciável do PSL seja eleito.

Outro nome bastante lembrado pelos ruralistas para compor uma eventual lista seria o do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), mais votado para o Senado por seu Estado.

Bolsonaro ainda não definiu nenhum nome para a Pasta da Agricultura e já pediu indicações à bancada ruralista do Congresso após encontro com 18 deputados e senadores do grupo em sua residência na semana passada. O

candidato do PSL, porém, tem dito a interlocutores que prefere nomes técnicos, de pessoas ligadas ao setor.

Nesse caso, além de nomes de empresários e produtores, a bancada pode até sugerir nomes de deputados que não se reelegeram e ficarão sem mandato, como é o caso de Valdir Colatto (MDB-SC), um dos ruralistas mais atuantes e um dos primeiros parlamentares a declarar apoio a Bolsonaro.

Até há alguns dias, o mais cotado para ocupar a cadeira de ministro da Agricultura de um eventual governo de Bolsonaro era o produtor Antônio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR). O próprio Bolsonaro já descartou essa hipótese e na semana passada.

Nabhan, que se tornou um dos principais conselheiros de Bolsonaro e frequentemente participa de reuniões com o núcleo da campanha do PSL, explica que o presidenciável ainda quer consultar associações de produtores.

"O Bolsonaro me prometeu que quer ouvir a base produtora antes de escolher o ministro. Obviamente que seria um produtor e não um político. Isso não quer dizer que ele não tenha o apoio importante da FPA", disse Nabhan.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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