RURAL – Soja tem recuo pequeno mesmo com retirada de taxas sobre importação

Analistas de mercado e entidade representante dos sojicultores afirma que a discreta queda no preço da oleaginosa se deve à desvalorização do dólar na última semana

  • Escassez do grão mantém o preço quase 100% acima da média histórica da saca apurada pela Emater, de R$ 83,67

    Escassez do grão mantém o preço quase 100% acima da média histórica da saca apurada pela Emater, de R$ 83,67 | Foto: Guilherme Testa/CP Memória

    A decisão do governo federal de zerar as taxas de importação sobre a soja no final de outubro não teve efeito significativo no preço da oleaginosa. Segundo analistas de mercado e a própria Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja/RS), o que influenciou o recuo no preço da saca de 60 quilos nos últimos dias foi a desvalorização do dólar. Na sexta-feira, 30 de outubro, a moeda norte-americana valia no mercado interno o equivalente a R$ 5,77. Nesta segunda-feira, dia 9 de novembro, oscilou entre R$ 5,24 e R$ 5,39, levando a saca do grão a valores entre R$ 163,00 e R$ 164,00, contra os R$ 169,00 atingidos na última sexta-feira. Mesmo com a variação dos últimos dias, as cotações seguem sendo quase 100% superiores à média histórica de novembro (R$ 83,67) apurada pela Emater/RS-Ascar.

    A analista de mercado da corretora Moeda da Terra, Franciele Link, lembra que a cotação da saca é formada pelo preço de Chicago, mais o prêmio e a variação cambial. “A Bolsa de Chicago segue em alta e a demanda se mantém aquecida, por isso, o câmbio foi a maior influência no valor da saca no mercado nacional”, diz Franciele. Ao mesmo tempo, a analista ressalta que o impacto nos negócios com a soja é pequeno, uma vez que 98% da safra foi vendida e não há mais estoques. Franciele afirma que os negócios que estão sendo fechados são os da safra 2020/2021. “Entre 30 e 35% dos produtores gaúchos de soja já travaram preços, com contratos em momentos diferentes, que variam de R$ 90,00 a R$ 145,00 a saca”, completa.

    Alaíde Ziemmer, analista de mercado para soja e milho da Corretora AGRural, do Paraná, considera que a retirada das tarifas serviu para atender a demanda interna das indústrias. Conforme Alaíde, o oferta de soja no Brasil é muito escassa, restando alguma disponibilidade apenas em pontos isolados de Minas Gerais e em Goiás. “No Rio Grande do Sul é onde não tem mesmo”, ressalta, recordando a quebra de safra e consequente redução na oferta e o volume de exportações do Estado em 2020.

    O presidente da Aprosoja/RS, Décio Teixeira, confirma que há pouquíssima soja circulando e que o produtor que tem alguma estoque de grãos aguarda pela finalização da contagem dos votos da eleição norte-americana para decidir se vende ou não.

    Nereida Vergara

    Fonte : Correio do Povo

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