RURAL – Semeadura da soja no Estado chega a 47% da área, mas está atrasada

Chuva prevista para os próximos sete dias deve proporcionar regularização do plantio

  • A chuva generalizada prevista para o Rio Grande do Sul nos próximos sete dias deve ajudar a normalizar o plantio da soja, bastante atrasado em relação ao mesmo período da safra passada e à média histórica da cultura. Levantamento semanal da Emater/RS, divulgado nesta quinta-feira, indica que já foram semeados 47% da área de 6 milhões de hectares estimados para a oleaginosa na safra 2020/2021. Há uma semana, o índice era de 35%. No mesmo período do 2019, a semeadura alcançava 63%. A média histórica é de 62% na última semana de novembro.
  • Apesar do atraso, o diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, ressalta que o plantio ainda está dentro da janela determinada pelo zoneamento agroclimático, que se encerra em 31 de dezembro. Conforme Rugeri, o retorno das chuvas nos próximos dias tende a melhorar o fluxo da semeadura. O agrônomo afirma também que o que já foi plantado está concluindo a fase de germinação, etapa em que a soja não sofre grandes impactos do estresse hídrico. “A soja que germinou, mesmo com a falta de chuva, tem potencial de recuperação, o que faz esta fase ter risco menor”, explica. Segundo ele, somente nos casos onde não houve germinação é que talvez precise haver o replantio.

    A análise da Emater indica ainda que há zonas produtoras onde não houve chuva ou onde as precipitações foram desiguais. É o caso dos municípios da região de Santa Rosa. Onde não choveu, o plantio esteve paralisado na última semana. Onde se registraram precipitações, a umidade do solo permitiu que os agricultores intensificassem a dessecação e a semeadura.

    As condições climáticas no Rio Grande do Sul e os riscos trazidos pela estiagem para a safra 2020/2021 foram tema, ontem, de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa. Pelo menos 150 pessoas participaram do encontro virtual, que reuniu parlamentares, agricultores e representantes de entidades do setor. De acordo com o presidente da comissão, deputado Adolfo Brito, os participantes ressaltaram, entre outras ações, a necessidade de liberação de recursos para ajudar os produtores; o apoio à cultura do milho e a consolidação do entendimento sobre a legislação ambiental para permitir a armazenagem da água com a finalidade de uso na irrigação. “Vamos solicitar agenda com o governador e secretários da Agricultura e Meio Ambiente para tratar da elaboração de uma política que vise o enfrentamento da escassez da água e irrigação”, disse Brito.

    Segundo a Defesa Civil, 76 municípios gaúchos já decretaram situação de emergência.

    Nereida Vergara

    Fonte : Correio do Povo

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