RURAL – Preço das commodities aquece demanda por crédito rural

Dados do Ministério da Agricultura apontam que procura cresceu 28%, e setor alerta para contingenciamento de valores

  • A largada do Plano Safra 2020/2021 foi marcada por uma forte demanda por recursos pelos produtores rurais, agroindústrias e cooperativas. Dos R$ 236,3 bilhões disponibilizados, R$ 73,8 bilhões foram contratados nos primeiros três meses, de julho a setembro. Para entidades do setor agropecuário, isso demonstra que o produtor está aproveitando a disparada das cotações dos grãos para investir na propriedade. No entanto, há o receio de escassez de recursos nos próximos meses. A Fetag/RS já reclama de contingenciamento por parte do BNDES de financiamento do Pronaf Mais Alimentos, utilizado pelos agricultores familiares.
  • Segundo dados do Ministério da Agricultura, a demanda por crédito rural cresceu 28% na comparação com o período de julho a setembro de 2019. Dos R$ 57 bilhões destinados às linhas de investimentos, um terço, R$ 19,6 bilhões, já foi contratado. O Inovagro, por exemplo, que financia a incorporação de inovações tecnológicas nas propriedades rurais, já emprestou R$ 1 bilhão dos R$ 2 bilhões previstos para todo o ano-safra, que se encerra em junho do ano que vem. Do Moderagro, voltado para projetos de modernização e expansão da produtividade, já foram tomados R$ 658 milhões do R$ 1,45 bilhão programado.

    O presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier, se diz preocupado com a possível falta de recursos, uma vez que o Moderfrota, usado para a compra de máquinas, já emprestou R$ 4 bilhões dos R$ 9 bilhões previstos. Bier entregou à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, um documento alertando esta situação durante a visita dela à Expointer Digital. “O dinheiro que ainda tem termina até o final do ano”, afirmou.

    O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, também aproveitou a estada da ministra em Esteio para solicitar o descontingenciamento de recursos do Pronaf Mais Alimentos. “A agricultura familiar precisa que estes valores estejam disponíveis”, reivindica. Silva afirma que outra preocupação é a previsão de cortes no orçamento da agricultura familiar em 2021, assunto que foi alvo de reunião da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar na última quinta-feira.

    Bier atribuiu a corrida por financiamentos ao tamanho da última safra brasileira de grãos e aos preços em níveis históricos. “É uma combinação difícil de acontecer, mas tivemos uma grande safra e grandes preços”, comenta, ao lembrar que apenas no Rio Grande do Sul houve quebra por conta da estiagem.

    O coordenador da Comissão de Política Agrícola, Seguro e Crédito Rural da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Elmar Konrad, concorda que a explicação está ligada à cotação das commodities. O indicador Esalq/BM&FBovespa aponta que a saca de soja alcançou o valor de R$ 159,22 nesta quarta-feira, em Paranaguá (PR). “Estes valores ativaram o emocional do produtor para investir”, diz Konrad. Segundo ele, há no Estado demanda elevada por soluções tecnológicas, por máquinas com tecnologia embarcada e por irrigação. Ele acredita que os resultados gerados pelo agronegócio à economia brasileira farão com que o governo federal não negue uma ampliação de recursos, caso necessário, e que os bancos farão isto com recursos próprios. “Entre todas as atividades econômicas, a de menor risco hoje é o agronegócio”, afirma.

    Cíntia Marchi

    Fonte : Correio do Povo

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