RURAL – Indústria de aves reduz a produção e repassa custos

Segmento alega necessidade de se adequar à queda da oferta e à alta do preço do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração

  • O milho, junto com o farelo de soja, participa de 70% dos custos de produção da avicultura, pois são insumos importantes para a alimentação dos animais
  • O milho, junto com o farelo de soja, participa de 70% dos custos de produção da avicultura, pois são insumos importantes para a alimentação dos animais | Foto: Karine Viana/ Divulgação Palácio Piratini/CP Memória

    A elevação dos custos leva a indústria de carne de frango a projetar uma queda de cerca de 10% no ritmo de produção, segundo entidades do setor. O motivo é a alta nos preços do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração animal. Além disso, o segmento estima que a variação deve ser repassado ao consumidor nas próximas semanas. Na terça-feira, o indicador do milho ESALQ/BM&FBovespa atingiu R$ 81,48 pela saca de 60 quilos, recorde real da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

    Na prática, a diminuição da produção ocorre por redução do alojamento de aves nas granjas e  descarte das matrizes mais velhas, com menor produtividade. “Não se vê outra alternativa a não ser fazer uma adequação na produção”, afirma o presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Eduardo  Santos. De acordo com ele, o ajuste  deve reduzir a demanda por milho no Rio Grande do Sul em cerca de 25 mil toneladas por mês. A medida, conforme o executivo, visa conter uma situação que chegou “no limite” e evitar ações mais drásticas, como férias coletivas e paralisações temporárias. Segundo a Asgav, a elevação nos preços chegou a 99,5% no milho e 110% no farelo de soja nos últimos 12 meses.

    Segundo Santos, o repasse de custos ao consumidor deve ficar entre 20% e 25% e começa nos próximos dias, de forma escalonada. O mesmo deve ocorrer com as chamadas aves natalinas, vendidas para as ceias de fim de ano.

    A avaliação é de que a retirada das taxas de importação de soja e milho ainda não repercutiram no mercado, mas serviram para gerar a percepção de que o governo pode interferir nas questões fiscais. O setor também espera a retirada dos encargos de PIS/Cofins (9,2%) sobre as importações, possibilidade que foi sinalizada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em reunião com lideranças da indústria de carnes. Também está em estudo a criação de uma linha de crédito para armazenagem de grãos.

    Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, algumas empresas  iniciaram o descarte antecipado de matrizes. O dirigente alega que as exportações de milho são menores que as de 2019 e que não houve quebra de safra. “O milho começou a subir sem nenhuma razão, salvo por especulação”, afirma.

    Conforme Santin, a área de suínos também sofre com a elevação nos custos, mas em situação  diferente porque tem ciclo de produção  mais longo e vive momento de alta demanda pela carne no exterior.

    Danton Júnior

    Fonte ; Correio do Povo

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