RURAL – Diferentemente de outros estados brasileiros, abate de bovinos no RS está estável

Frigoríficos gaúchos têm abatido cerca de 10,5 mil animais por dia, o que é próximo do ideal, e pagam em torno de R$ 15 ao produtor

  • O Rio Grande do Sul exportou apenas neste ano 50 mil bovinos vivos para o Oriente Médio
  • O Rio Grande do Sul exportou apenas neste ano 50 mil bovinos vivos para o Oriente Médio | Foto: ANGELICA SILVEIRA/DIVULGAÇÃO/CP MEMÓRIA

    Ao contrário de outros Estados do Brasil, como os das regiões Centro-Oeste e Sudeste, o Rio Grande do Sul vive neste momento uma situação de estabilidade no abate de bovinos. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs), Ronei Lauxen, os frigoríficos gaúchos têm abatido por dia cerca de 10,5 mil bovinos, número considerado bem próximo ao ideal da cadeia produtiva, que tem como meta 11 mil animais/dia. Lauxen também garante que a oferta bem ajustada tem proporcionado preços razoáveis, por volta dos R$ 15 a R$ 15,50 o peso carcaça pago ao produtor.

    O dirigente afirma, entretanto, que o Estado não está livre da escassez de matéria-prima nos próximos meses, em parte pela sazonalidade característica do gado de corte, mas também pela grande quantidade de animais vivos que estão deixando o Rio Grande do Sul em direção a outras unidades da federação. "Tivemos a exportação de boi vivo para países do Oriente Médio (neste ano, em duas cargas, saíram pelo Porto de Rio Grande mais de 50 mil animais) e vem crescendo de forma muito acentuada o envio de bovinos vivos para outros Estados, de São Paulo para cima", pontua Lauxen.

    O empresário garante que, dependendo do mês, a média semanal de saída de gado bovino gaúcho para outros Estados pode chegar a 15 mil unidades, o que corresponde a um dia e meio de abates na rede de frigoríficos riograndenses. "Isso demonstra que nós não estamos livres de uma demanda acima da oferta", adverte, relatando que essas cargas são intermediadas para o Sudeste e o Centro-Oeste por empresas que compram os animais direto dos pecuaristas e os vendem para as importadoras interestaduais.

    Os números levantados pelo presidente do Sicadergs encontram fundamento nos registros da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr). Conforme Francisco Lopes, chefe do Departamento de Controle e Informações Sanitárias da pasta, 151.215 bovinos tiveram guias de trânsito emitidas para fora do Estado nos primeiros 10 meses de 2020 (a Seapdr não detalha o destino). Pelos dados da secretaria, este tipo de comércio teve incremento a partir de maio, quando chegou a 14,8 mil animais embarcados, 5,6 mil a mais do que em abril. Em setembro, o volume atingiu o pico, com 54,49 mil cabeças. Para Lauxen, este comportamento reflete a procura de outros países pela carne brasileira e o fato de os estados do Sudeste e Centro-Oeste ainda não terem animais prontos para abater, já que o ciclo deles é diferente do Rio Grande do Sul.

    Nereida Vergara

    Fonte : Correio do Povo

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