RURAL – Cotação da saca de arroz recua, mas setor confia em estabilidade

Movimento foi influenciado pela pressão compradora, já que parte das indústrias demonstrou pouco interesse em fazer novas aquisições

  • Segundo o Irga, o plantio da safra 2020/2021 aproxima-se do fim, com 95% da área semeada

    Segundo o Irga, o plantio da safra 2020/2021 aproxima-se do fim, com 95% da área semeada | Foto: Mauro Schaefer / CP Memória

    O preço da saca de arroz em casca variou entre R$ 96,00 e R$ 98,00, na semana passada. Na última sexta-feira, fechou em R$ 96,51. Foi a primeira vez, em três meses, que a cotação baixou da casa dos R$ 100,00, segundo a série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP). Na parcial do mês, a retração no valor é de 5,66%. A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) e o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) acreditam que o preço deve estabilizar após esta queda.

    De acordo com o Cepea, o movimento baixista está atrelado à pressão compradora, já que parte das indústrias tem demonstrado pouco interesse em novas aquisições. Avalia que as empresas podem estar ausentes das novas negociações por estarem apenas recebendo lotes adquiridos anteriormente. Segundo o Ministério da Economia, em novembro o volume do cereal importado foi de 186,37 mil toneladas de arroz, o maior desde dezembro de 2003. As importações de fora do Mercosul estão com tarifa zerada desde setembro.

    O diretor comercial do Irga, João Batista Camargo Gomes, diz ter notado que as empresas frearam as compras, o que, para ele, é um movimento normal de final de ano. Destaca que a incógnita agora é sobre como estará a cotação na entrada da colheita, o que depende de fatores como câmbio, volume para exportação e tamanho da produção. Para Gomes, por ora, a cotação se manterá sustentada. “Acredito que vai seguir uma estabilidade, pelo menos até a proximidade da colheita”, avalia.

    O presidente da Federarroz, Alexandre Velho, concorda. “Não existem motivos e nem oferta de produto no mercado para os preços recuarem”, observa. O dirigente acrescenta que não se tem perspectiva de importação de mais do que 300 mil toneladas do grão, embora o governo tenha autorizado a compra de 400 mil toneladas com tarifa zerada até 31 de dezembro. Segundo o Irga, o plantio da safra 2020/2021 aproxima-se do fim, com 95% da área semeada.

    Cíntia Marchi

    Fonte : Correio do Povo

  • Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *