RURAL – Agricultura familiar terá acesso a nova fase do PSR

Mapa constatou no teste inicial, feito no ano passado, que sistema de seguro parcialmente subsidiado pode se tornar alternativa ao Proagro

  • O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pretende anunciar em maio as regras para a segunda fase do projeto-piloto Programa de Seguro Rural (PSR) para agricultores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). No final de janeiro, o Mapa divulgou os resultados da primeira edição, lançada em 2020. Foram beneficiados 10.446 agricultores familiares de 11 estados brasileiros, pelo cultivo de 277 mil hectares e segurado um valor de R$ 881,6 milhões. O governo subvencionou R$ 36,6 milhões dos prêmios das apólices. Oito seguradoras participaram da iniciativa, voltada ao atendimento das culturas da soja, do milho 1ª safra, da uva e da maçã.
  • O diretor do Departamento de Gestão de Risco do Mapa, Pedro Loyola, explica que o governo decidiu testar o programa por mais um ano, antes de transformá-lo em regra, para continuar demonstrando ao produtor as vantagens da contração com subvenção de até 60% e coberturas que o Proagro não oferece. “Demos ao produtor a oportunidade de comparar o PSR ao Proagro, que é um programa concebido nos anos 70 e que está defasado em muitos aspectos”, comenta.

    Loyola ressalta que neste primeiro ano, a contratação mais expressiva foi de seguro para as safras de soja (81,5%) e milho 1ª safra (17,5%). Ele afirma que pelo menos 70% dos agricultores que aderiram ao projeto-piloto utilizaram o PSR pela primeira vez. Para a segunda edição, ainda sem volume de recursos definido, o projeto pretende atingir de 15 mil a 20 mil agricultores familiares. O Mapa assegura, no entanto, que o Proagro vai continuar e que caberá ao produtor decidir o que é mais conveniente para seu plantio.

    O Rio Grande do Sul foi o segundo estado a fazer o maior número de contrações, com 35% do total e área segurada de 90,5 mil hectares, perdendo apenas para o Paraná, onde a área coberta chegou a 120 mil hectares. O assessor de política agrícola da Fetag, Kaliton Prestes, calcula que praticamente a totalidade dos produtores gaúchos que fizeram contratações via Banco do Brasil estão usando o seguro rural pela primeira vez. Elogia ainda a opção oferecida ao produtor porque, além das perdas climáticas, cobre também a perda de qualidade da colheita.

    Lucas Zimmermann, produtor de soja em Rincão do Santana, localidade de São Luiz Gonzaga, protegeu pela modalidade uma lavoura de 19 hectares. Segundo ele, caso haja necessidade, o seguro irá cobrir até 40 sacos por hectare, da média de 50 sacos por hectare que prevê colher. “Se tivermos outra oportunidade de fazer o PSR, nós vamos fazer”, diz Zimmermann, que elogia a subvenção maior que a do Proagro e a redução da burocracia para a contratação.

    Nereida Vergara

    Fonte : Correio do Povo

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