RURAL – Adiamento do ICMS deve reduzir escassez do milho

Cadeia produtiva de suínos e aves acredita que medida facilita compras do Mercosul e também pede iniciativas federais para conter preços

O decreto estadual que adia a cobrança de ICMS do milho importado de países do Mercosul, publicado na semana passada, gerou boas expectativas no setor de proteína animal, que tem sofrido com a elevação dos custos da ração animal. Nos últimos 12 meses, o preço da saca do cereal aumentou cerca de 100%. No entanto, entidades do segmento aguardam outras medidas para baratear o custo do grão, em especial no governo federal.

A expectativa do setor não recai apenas sobre o milho que será importado. O presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador, acredita que a medida irá provocar impacto no mercado interno. “Pode gerar uma pressão sobre o preço do milho brasileiro, beneficiando o produtor (de animais) de forma indireta”, observa. A entidade defendia que o criador também pudesse importar o milho, e não apenas a indústria, mas não foi atendida.

Folador entende que o diferimento do ICMS ajuda a amenizar, mas não resolve o problema da elevação de custos. Outra reivindicação do setor é a isenção de PIS/Cofins sobre importações para a agroindústria que não é exportadora e está fora do sistema aduaneiro de drawback (suspensão ou isenção de tributos sobre insumos de produto a ser vendido para o exterior). Segundo Folador, a medida ajudaria a reduzir em mais 8% a 9% o preço do milho importado.

O diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos no Rio Grande do Sul (Sips), Rogério Kerber, ressalta que algumas empresas que têm condições de adquirir o milho no regime de drawback já estão fazendo a importação. O diferimento do ICMS foi solicitado principalmente para atender as empresas de menor porte, que não têm participação expressiva nas exportações. De acordo com Kerber, o grande benefício não está relacionado ao preço, mas sim à disponibilidade do produto de Paraguai e Argentina, que estão mais próximos do Rio Grande do Sul do que a região Centro-Oeste, grande produtora do cereal. 
“É uma questão de existir oferta no momento em que o Brasil ainda não começou a colheita da segunda safra”, afirma Kerber, ressaltando que o Rio Grande do Sul teve a produção de milho prejudicada recentemente em razão de duas estiagens consecutivas.

O presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, acredita que o diferimento ajuda a dar condições às empresas maiores de trazerem o grão do Mercosul, ao mesmo tempo em que alivia as indústrias pequenas e médias que negociam o grão disponível do Estado.

Danton Júnior

Fonte : Correio do Povo

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