Rússia volta a ameaçar frigoríficos brasileiros

O serviço sanitário da Rússia comunicou ao Ministério da Agricultura que detectou o promotor de crescimento ractopamina em carregamentos de carne suína exportados por quatro frigoríficos brasileiros, apurou o Valor. O produto é proibido pela Rússia, mas seu uso é permitido em diversos países. No Brasil, o uso é permitido na produção de suínos, mas proibido na de gado bovino. Três dos quatro estabelecimentos são da Seara, divisão da JBS. Estão localizados no municípios de Frederico Westphalen (RS), Seara (SC) e Itapiranga (SC). O outro é da BRF e está em Campos Novos (SC).

Até o fechamento desta edição o órgão russo não havia divulgado em seu site a suspensão das plantas do Brasil – que, portanto, ainda não estavam embargadas. Mas o Ministério da Agricultura confirmou que recebeu o comunicado russo e, entre os técnicos da Pasta, o sentimento era que o veto às unidades pode acontecer a qualquer momento.

Procurada, a JBS garantiu que não recebeu qualquer informação proveniente do mercado da Rússia referente ao cumprimento dos requisitos legais em vigor para exportação" para o país. A BRF, por sua vez, preferiu não se manifestar. De janeiro e setembro, os embarques brasileiros das duas carnes ao mercado russos renderam US$ 941 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic).

A Rússia vem ameaçando barrar as exportações de carnes suína e também de frango do Brasil, ao mesmo tempo em que pressiona pela abertura do mercado brasileiro para trigo, carne bovina e pescados. No caso do trigo, o Ministério da Agricultura já sinalizou – mas não tornou a decisão oficial – que dará o sinal verde, apesar do risco de que pragas "quarentenárias" existentes em lavouras daquele país contaminem plantações no Brasil.

A suposta detecção de ractopamina em cargas do Brasil é encarada por técnicos do Ministério da Agricultura como mais uma forma de pressão. Uma fonte do segmento lembrou que o Brasil tem direito de pedir a contraprova dos testes realizados pela Rússia. E observou que a cota destinada aos importadores russos de carne suína neste ano já está quase esgotada.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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