Rússia abre seu mercado ao leite em pó brasileiro

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, anunciou ontem, em audioconferência, que a Rússia autorizou a importações de leite em pó, manteiga e queijos brasileiros. A expectativa da ministra, que está na Rússia na comitiva da presidente Dilma Rousseff, é de que somente as vendas de leite em pó para os russos somem US$ 600 milhões num prazo de dois a três anos. Isso representa metade dos US$ 1,2 bilhão que a Rússia importa a cada ano (cerca de 650 mil toneladas). No mercado, contudo, estima-se que os embarques poderão alcançar, no máximo, 20 mil toneladas no médio prazo.

Segundo o Ministério da Agricultura, o acordo possibilitará que 23 unidades de produção de lácteos do Brasil exportem os três tipos de produtos. Doze unidades já estavam habilitadas a vender queijo e manteiga à Rússia desde setembro passado, depois que Moscou impôs embargo às compras de países do Ocidente. No entanto, foram comercializadas apenas pequenas quantidades, uma vez que a recessão afetou a demanda russa. A partir de ontem, conforme explicou Kátia Abreu, mais 11 estabelecimentos foram autorizados a vender os três itens para a Rússia.

Durante a audioconferência, a ministra Kátia Abreu informou que as 11 novas habilitações ainda não seguem o modelo de "prelisting", que dispensa fiscalização prévia do serviço sanitário do país importador e agiliza o tempo de análise dos estabelecimentos aptos a exportar. Segundo ela, o procedimento só valerá para pedidos futuros da indústria brasileira. "As empresas que nós aprovamos para exportar à Rússia não entraram no sistema prelisting, só os novos pedidos que estarão nesse sistema", disse. Entretanto, o ministério informou ao Valor que as 11 unidades já fazem parte do "prelisting".

A Rússia também deu aval para que o Brasil venda tripas e material genético de produtos agropecuários para a Rússia, mas a ministra não soube estimar o potencial desses mercados. Com relação às vendas de carnes para os russos, Kátia Abreu afirmou que o Brasil já "exporta um volume muito grande", porém esse comércio precisa "fluir mais" e as "oscilações" de aberturas de plantas seguidas de fechamentos posteriores por questões sanitárias precisam ser evitadas.

"Não podemos um dia habilitar plantas para exportação e em seguida eles fecharem. Temos que ter solidez", destacou. De seu lado, a Rússia quer vender ao Brasil trigo e pescado. Segundo a ministra, as negociações para compra do cereal estão adiantadas. Sobre o alto custo para importar o trigo da Rússia, a ministra afirmou que a decisão de comprar daquele país em vez da Argentina, por exemplo, só depende do mercado brasileiro.

Fonte : Valor

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