RS pode buscar soja fora

Queda na produção e aumento da demanda devem acirrar disputa pelo grão e elevar preços

Mendonça de Barros alertou para o desabastecimento da oleaginosa<br /><b>Crédito: </b> vinícius roratto

Mendonça de Barros alertou para o desabastecimento da oleaginosa
Crédito: vinícius roratto

O Rio Grande do Sul, um dos maiores produtores de soja do Brasil, poderá ser obrigado a buscar o grão no centro do país. A possibilidade foi levantada durante o Fórum Nacional da Soja realizado na Expodireto, em Não-Me-Toque, frente a um cenário adverso agravado pela redução da safra e pelo aumento da demanda pela indústria de biodiesel. No mercado internacional, a expectativa é de recuo na produção dos EUA, o que obrigará a China a buscar a oleaginosa brasileira para saciar seu crescente consumo. "O Estado responde por um quarto da produção nacional de soja, mas não sabemos como ficarão os estoques", lembrou o presidente da União Brasileira do Biodiesel, Odacir Klein.
As perdas provocadas pela estiagem e os compromissos comerciais já assumidos pelos sojicultores gaúchos também devem interferir nesse cenário. André Pessoa, diretor da Agroconsult, projetou uma produção de 6,7 milhões de toneladas no RS com base nos dados coletados no Rally da Safra. O número trará um forte recuo sobre a projeção de 12 milhões de toneladas feita em dezembro. Hoje, a Emater divulga revisão novos números com tendência de queda.
Em nível nacional, a estimativa é que a produção total deva chegar a 69 milhões de t, segundo a Conab. Com esse saldo, haverá apenas 900 mil t de estoque de passagem, inviabilizando que as exportações continuem na casa dos 32 milhões de t, como em 2011. Conforme o analista de mercado Alexandre Mendonça de Barros, a queda na produção nacional e a crescente demanda externa vão colocar a oleaginosa no centro de disputa dos mercados e inflacionar os preços. Barros destacou que, especialmente na região Sul, onde está a maior capacidade instalada de esmagadoras, será necessário pagar prêmio para não ter desabastecimento. "Quem quiser soja vai ter que pagar para manter o grão", projetou. Segundo André Pessoa, a renda efetiva é que deve variar conforme a qualidade da oleaginosa obtida. "A safra desse ano foi um acidente de percurso e não deve suscitar mudança drástica nos investimentos em tecnologia", afirmou.

Fonte: Correio do Povo

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