RS pedirá para deixar de vacinar contra aftosa, mas aval depende de melhorias

Entidades do agronegócio apoiam continuidade do processo para mudança de status sanitário, mas condicionam validação a reforço na estrutura

Thais D'Avila / Divulgação
Técnicos da Secretaria da Agricultura e da superintendência do Ministério da Agricultura detalharam resultado de auditoriaThais D’Avila / Divulgação

O Estado pedirá ao Ministério da Agricultura a retirada da vacina contra a febre aftosa. Mas a decisão será reavaliada em agosto, quando termina o prazo para que sejam feitos ajustes apontados no relatório da auditoria realizada no Rio Grande do Sul.

Nesta quarta-feira (19), técnicos da Secretaria da Agricultura e da superintendência regional do ministério apresentaram em detalhes as 18 condicionantes. Entram como exigências a necessidade de contratar 150 pessoas para atuar no Interior e reforço de cem veículos. Dúvidas de representantes de sindicatos e de entidades do setor presentes no encontro também foram respondidas.

Depois da avaliação técnica, Federação da Agricultura do RS (Farsul) e Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) realizaram assembleias para definir posição. Na hora da votação, no entanto, mudaram a pergunta.

No lugar de “é contra ou a favor da retirada” o questionamento foi “é contra ou favor de apoiar o Estado para que dê continuidade ao processo de evolução do status sanitário”. Essa nova abordagem fez com que alguns sindicatos mudassem de posição.

Em ambas entidades, a resposta foi favorável para que o governo siga adiante e tenha tempo de fazer as modificações necessárias. Na Farsul, foram 53 votos pelo apoio e 11 contra. Na Febrac, placar de 18 a 5.

— Não significa uma aposta cega, existem condições. São alguns requsitos que deverão ser cumpridos até agosto. Aí teremos a batida final de martelo — pontua Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

Posição alinhada à da Febrac, que considera esse um "voto de confiança".

— Ajuda o governo a obter meios para atender às recomendações — acrescentou Leonardo Lamachia, presidente da Febrac.

Ainda que a posição das entidades seja voltar a avaliar o tema mais adiante, o secretário Covatti Filho entende como positivo o apoio para seguir com o processo.

— Toda obrigação agora fica como Estado. A decisão foi tomada, mas será revista em agosto se não cumprirmos exigências — reconhece o titular.

A antecipação da primeira etapa da vacinação para março teve papel fundamental para a definição desse rumo. Fez o Estado ganhar tempo.

A solicitação ao ministério para deixar de vacinar precisa ser feita em maio. O ônus de dar as garantias exigidas para  aval final à mudança é do Piratini.

Fonte: Zero Hora

20/02/2020 – 10h28minAtualizada em 20/02/2020 – 10h28min

GISELE LOEBLEIN

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