Roberto Rodrigues vê retorno do otimismo

 

Ex-ministro lembrou, porém, que "as grandes questões" do agronegócio continuam precárias

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O ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GVAgro), avaliou nesta sexta-feira, 26, que o retorno do otimismo ao setor é claramente motivado pela questão política, com o processo de cassação da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e a ascensão do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) ao cargo efetivo.

Em palestra na Fenasucro, em Sertãozinho (SP), Rodrigues citou o Índice de Confiança do Agronegócio (ICAgro), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que fechou o segundo trimestre de 2016 em 102,1 pontos, alta de 19,4 pontos em relação ao trimestre anterior e o nível mais alto desde 2013, quando o ICAgro começou a ser medido.

"É claramente a questão política, pois há a sensação que terminado o processo doloroso do impeachment deve ser inaugurado novo governo e que isso gera o otimismo, mesmo que as condições econômicas não sejam diferentes do ano passado", afirmou. O ex-ministro lembrou que, além da crise econômica, "as grandes questões" que atingem a competitividade do agronegócio continuam precárias, como a logística, o seguro rural, a abertura de novos mercados e as legislações que continuam "obsoletas e precárias", segundo Rodrigues.

Rodrigues avaliou, no entanto, que o novo governo mostra disposição de corrigir questões sem interferência no setor e voltou a elogiar a integração entre os três ministros que considera mais importantes para o agronegócio: Blairo Maggi (Agricultura), José Serra (Relações Exteriores) e Henrique Meirelles (Fazenda). "Há o sentimento que o novo governo mostra disposição e trabalha integrado para corrigir essas questões todas, sem a interferência no mercado", disse.

O coordenador do GVAgro avaliou que o agronegócio tem avançado em tecnologia, com o aumento da produtividade nas lavouras e na pecuária, mas criticou a falta de gestão dos produtores. Ele reafirmou, ainda,  que o setor se colocou à margem da economia e voltou a pedir ao produtor que defenda o interesse do Brasil em detrimento do agronegócio.

"Houve a repercussão positiva dos liberais pelo que eu disse, mas a negativa dos que ainda defendem o apoio do Estado. Eu reafirmo que, para mudar a imagem, temos de discutir temas nacionais", concluiu.

ESTADÃO CONTEÚDO

Fonte: Portal DBO