Ritmo de queda das vendas de fertilizantes diminui

O ritmo de queda das vendas de fertilizantes no país voltou a diminuir em setembro, confirmando a tendência de reação da demanda apesar de a valorização do dólar ter encarecido o insumo em real. Mas, como a alta da moeda americana também teve efeito positivo sobre os preços domésticos de commodities como soja e milho, a melhora na relação de troca entre produtos agrícolas e adubos também teve efeito positivo sobre a comercialização.

Levantamento divulgado ontem pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) mostrou que as entregas de fertilizantes das misturadoras (fabricantes dos produtos finais) às revendas espalhadas pelo Brasil atingiram 3,8 milhões de toneladas em setembro, 3,6% menos que no mesmo mês de 2014. Nos nove primeiros meses de 2015, as entregas totalizaram 22,3 milhões de toneladas, uma queda de 5,9% sobre igual intervalo do ano passado. Mas essa queda já foi bem maior: nos cinco primeiros meses do ano foi de 12%, e de lá para cá passou a recuar.

A alta do dólar foi um dos fatores que desestimularam as compras de adubos no país, uma vez que deixou mais caros os produtos – a maior parte deles importada.

Mais impactados nos meses anteriores, os fertilizantes fosfatados já deram lugar aos nitrogenados em setembro, como reflexo da menor demanda para a safrinha de milho (que será plantada no início de 2016) e também para algodão, cana e trigo. No mês, as entregas de nitrogenados recuaram 10,1%, a 2,45 milhões de toneladas. Já os fosfatados e os potássicos apresentaram redução de 9,4% e 6%, respectivamente.

Com a menor competitividade das importações, a produção nacional de adubos acumula alta de 3,2% no ano, com 6,73 milhões de toneladas. Tanto as importações quanto as exportações recuaram: a primeira com queda de 11,3%, a 16,02 milhões de toneladas, e a segunda em baixa de 14,7%, a 445,6 mil.

Maior produtor nacional de grãos, Mato Grosso registrou vendas de janeiro a setembro de 4,5 milhões de toneladas, seguido por Paraná (3,1 milhões) e Rio Grande do Sul (2,6 milhões). E, apesar das tensões com o maior custo de produção de soja da história, os adubos passaram a pesar proporcionalmente menos, se comparados às cotações da saca.

Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os insumos para a safra 2015/16 de soja, em fase de plantio, foram adquiridos ao custo médio de R$ 1.756 por hectare no Estado, 18% acima do ciclo passado. Mas a relação de troca entre os insumos e os preços de paridade de exportação apresentou valor menor que nas últimas duas safras, reflexo das boas cotações domésticas da soja. Em 2014/15, foi de 37,6 sacas por hectare; na safra atual está em 25,6.

Por Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor

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