Risco social e ambiental no filtro do Santander

O banco espanhol Santander estendeu os critérios de avaliação de risco socioambiental, antes restrito ao crédito, à área de compliance nas operações brasileiras. Na prática, isso significa que toda a carteira de clientes – pessoas jurídicas e físicas – passa a ser agora avaliada também sob o crivo trabalhista e ambiental.

A iniciativa começou a ser testada há três anos, pouco depois de o Santander assumir o controle do ABN Amro Real e agora começa a produzir resultados, afirma Christopher Wells, superintendente para Risco Socioambiental do banco.

Com a decisão, quando um potencial cliente tentar abrir uma conta-corrente no banco, por exemplo, a equipe de checagem olha além das ferramentas clássicas de risco. Levará em consideração os cadastros de trabalho escravo ou degradante do Ministério do Trabalho e de desmatamento ilegal do Ibama. Se estiver presente em uma das listas, ele terá o pedido negado.

"Era incoerente cobrar essas informações só de quem pedia crédito e não aplicar as mesmas regras para todos", diz Wells.

Em 2010, o primeiro ano de fechamento desse balanço, foram encaminhados para a análise do setor de risco socioambiental do Santander 254 casos. Desses, 202 foram aprovados, 33 declinados e 19 aprovados com ressalva (mediante a apresentação de um termo de ajuste de conduta). Em 2011, foram para análise da equipe de Wells – time composto por um geógrafo, dois biólogos, um químico e um engenheiro de segurança do trabalho – 144 casos. Desta vez, houve 27 rejeições, 91 aprovações e 24 com ressalva.

São, portanto, uma gota no oceano de clientes do banco. "Negar 33 é ‘peanuts’ (para os negócios), mas coerente com a política de sustentabilidade iniciada ainda no ABN Real". O Santander fechou 2011 com 19,3 milhões de clientes – aumento de mais de 1,2 milhão da base de conta-corrente entre um ano e outro.

Desde 2010, o monitoramento socioambiental do banco passou a ser auditado trimestralmente, de forma a garantir que os critérios de risco estejam sendo aplicados de forma correta.

O principal entrave não é mais o desmatamento ilegal, líder no ranking de irregularidades do passado recente. Para o executivo, a fiscalização mais acirrada, o fim do crédito para desmatadores ilegais e a cobrança da sociedade estão criando uma cultura nova no campo que começa a mostrar os efeitos agora. O maior responsável pelas negativas do banco são casos de trabalho degradante, em que funcionários, geralmente terceirizados, são submetidos a condições impróprias.

Quando a questão é socioambiental, a agricultura ainda consome a metade do tempo da equipe de análise desse tipo de risco – apesar de não ter a maior participação na carteira do Santander. "A maior atenção é a Amazônia, mas o Cerrado também ganha importância", diz. O segundo maior bioma do país é também a nova fronteira de expansão da agricultura brasileira.

Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

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