Rio+20 quer o bem-estar social, não apenas o econômico

Quando os sábios se calam, os ventos se tornam favoráveis aos ignorantes. Por isso, na Rio+20 há tantas controvérsias. Simon Kuznets foi o economista que inventou o PNB (Produto Nacional Bruto) 80 anos atrás. No entanto, o bem-estar de uma nação não pode ser inferido apenas a partir de uma medida de renda. O Produto Interno Bruto (PIB) é o indicador que faz os cidadãos ficarem felizes quando sobe meio ponto percentual e sombrios, quando cai. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – 20 anos após a Rio-92 -, que ocorre até o dia 22 de junho, busca uma agenda comum, com foco na economia verde e na erradicação da pobreza. A Rio+20, a partir deste dia 16 e até 19 de junho, terá eventos com a sociedade civil. De 20 a 22 de junho, ocorrerá o Segmento de Alto Nível, com chefes de Estado e de governo. A qualquer aumento do PIB, espera-se que todos comemorem. A economia está crescendo e tudo vai bem no mundo. Se ele cai, a economia está encolhendo, e os sinos da ruína começam a badalar. Então, é fundamental medir desenvolvimento sustentável, riqueza natural e bem-estar social. O PIB é simplesmente uma medida de todo o dinheiro que é gasto em tudo o que compramos.

É o caso de uma onda de criminalidade. Por causa dela, nos sentimos inseguros e compramos mais cadeados e trancas para portas e janelas. Isso aparece como positivo, mas não conta a história de que algo ruim está ocorrendo na sociedade, uma distorção que alimenta o PIB, sem citar a insegurança das pessoas. No mundo do PIB, quanto mais automóveis, mais rica é esta parcela de motorizados sobre os que andam de bicicleta. E quanto mais telefones celulares forem trocados por modelos mais novos, mais ricos somos. Derrubar uma floresta é um acréscimo para a economia. Quanto mais álcool, cigarros e petróleo são vendidos, melhor estamos. Esta é a distorção se pegarmos apenas o PIB para medir o bem-estar social e a qualidade de vida. O PIB mede as coisas consideradas “ruins” assim como as “boas”. É um balanço de curto prazo que não leva em conta a acumulação de dívidas e não mensura o capital natural. E o capital natural é feito de bens e serviços que a natureza oferece de graça. O PIB não leva em conta fatores sociais, como o quanto as pessoas são felizes.

Técnicos lembram que o PIB nunca teve o objetivo de medir bem-estar social ou ambiental. Mas de tanto ser medido e mencionado, há quem argumente que o PIB se tornou o único número em uso diário que pode ser citado como evidência de que as coisas estão ficando melhores ou piores. Organizações como a New Economics Foundation desenvolveram indicadores que acreditam ser mais abrangentes e mais válidos. O pequeno país do Butão usa o famoso Índice de Felicidade Interna Bruta, combinando aspectos como saúde infantil e nível de educação com medidas de proteção ambiental, valores culturais e boa governança. Então, os governos deveriam ouvir o valor financeiro presente em árvores, água limpa e o reino ecológico e apresentar ao Tesouro Nacional.

Esta seria a verdadeira realidade do País, não apenas na compra/venda de produtos, sem saber para que se destinam e o quão felizes tornam as pessoas. Espera-se que a Rio+20 pense nisso.

Fonte: Jornal do Comércio

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