Rio Grande do Sul deve estender sua estrutura de irrigação

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Especialistas sugeriram métodos para o uso racional da água

Especialistas sugeriram métodos para o uso racional da água

Aproveitar a estrutura de irrigação do arroz na rotação de culturas foi a proposta defendida pelo pesquisador do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), Sérgio Gindri Lopes, no Seminário Internacional Água, Irrigação e Alimentação, promovido pelo governo do Estado, em Porto Alegre. Lopes lembrou que 97% da estrutura de irrigação implantada no Estado está em áreas de várzea.
“Estamos buscando, na Metade Sul, novas alternativas de produção às tradicionais pecuária e arroz irrigado – que são fundamentais para a economia do Estado, mas enfrentam crises frequentes, por questões de preço e falta de água em anos de El Niño.” Lopes explica que os órgãos de pesquisa e o governo do Estado vislumbram quebrar esses ciclos com a introdução de um Sistema Integrado de Produção, onde o produtor tenha alternativas de cultivos mais viáveis em situações de restrição de água, como é o caso da soja e do milho, que demandam 30% menos água do que o arroz irrigado. “O produtor poderá manter a mesma área com uma cultura também rentável”, disse.
O pesquisador do Instituto Nacional de Investigação Agropecuária do Uruguai, Diego Giorello, mostrou a experiência do país vizinho no cultivo irrigado de pastagens e os resultados obtidos na produtividade da pecuária. Para ele, a realidade de seu país deve servir de exemplo para o agronegócio gaúcho. A realidade da produção orizícola no Rio Grande do Sul é diferente de muitos países. Porém, o professor Merle Anders, da Universidade de Arkansas, destacou que os agricultores do Brasil e dos EUA enfrentam o mesmo desafio: reduzir o consumo de água no cultivo de arroz. “Nos EUA, a água que irriga o cultivo é retirada do subsolo. Há mais de 30 anos registramos que a cada ciclo a quantidade de água que conseguimos trazer para a superfície diminui. Então, é preciso encontrar formas de se reduzir o uso de água na lavoura para que isso não vire objeto de disputa social”, defendeu.

Vendas de equipamentos podem alcançar R$ 1,2 bilhão neste ano

O mercado de equipamentos de irrigação brasileiro está aquecido, e deve fechar o ano com vendas superiores a R$ 1,2 bilhão. Essa expectativa foi apresentada pelo presidente da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Abimaq, Antônio Alfredo Teixeira Mendes. Conforme o dirigente, a demanda nacional tem crescido desde 2010, devido a problemas climáticos e frustrações de safra, e o Rio Grande do Sul é um dos estados que mais vêm contribuindo para esse aquecimento.
Segundo Mendes, apenas no segmento de pivô central o Rio Grande do Sul será a unidade da Federação com maior número de equipamentos instalados em 2012, chegando a 350 máquinas. Em todo o Brasil, devem ser comercializados 1,2 mil equipamentos neste ano. “O País é uma grande oportunidade para as empresas do setor. Temos 4,5 milhões de hectares irrigados, mas temos um potencial para 30 milhões”, explicou.
No Estado, apenas 2% da área agrícola é irrigada, mas o mercado é crescente. Segundo Reimar Carlesso, professor de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria, o Estado deverá mais do que dobrar a média anual de instalações em 2012, alcançando 18 mil novos hectares irrigados, contra um histórico de 6 mil a 8 mil hectares. Para 2013, o professor estima que esse quadro deverá aumentar ainda mais, chegando a 25 mil novos hectares irrigados.
Além da preocupação dos produtores em buscar precauções contra estiagens, outro motivo que tem contribuído para incentivar o uso da irrigação é a redução do custo dos equipamentos. De acordo com Carlesso, há 10 anos, nas regiões produtoras de grãos da Metade Norte, um hectare valia em média 250 sacas de sojas, enquanto a instalação de sistemas para essa mesma área custava 180 sacas. Hoje, o valor do hectare está em 800 sacas de soja, enquanto os equipamentos para irrigá-la custam 90 sacas.

Fonte: Jornal do Comércio | Clarisse de Freitas

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