Rio Grande do Sul adia definição de retirada da aftosa para agosto

Decisão foi tomada na quarta-feira, 19, pelo secretário da Agricultura, Covatti Filho, após reunião com integrantes da Febrac e Farsul

vacina contra aftosa

Foto: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O governo do Rio Grande do Sul (RS) segue sem definir se vai evoluir o status sanitário do estado sobre a febre aftosa. O Secretário de Agricultura do RS, Covatti Filho, se reuniu com integrantes da Federação Brasileira das Associações de criadores de Animais de Raça (Febrac) e da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), na noite desta quarta-feira, 19 para avaliar o interesse dos produtores em retirar a vacinação contra febre aftosa. Segundo a assessoria do secretário, ficou acordado que a decisão final será tomada em agosto, mas até lá o governo trabalhará pelo fim da imunização.

Nos últimos meses, o RS tem se preparado para pedir a retirada da vacina contra a febre aftosa para a Organização Mundial da Saúde Animal. Auditores do Mapa estiveram no estado em setembro do ano passado analisando a possibilidade de extinção da imunização.

Em janeiro de 2020, a pasta enviou ao governo do estado o relatório da auditoria que indicava 18 pontos a serem melhorados até o próximo mês de agosto. Por conta desse prazo final, é que o mês foi escolhido pela Febrac e Farsul como a data final para se tomar uma decisão sobre o tema.

Uma das medidas tomadas pelo governo do RS, com a intenção de que o território esteja pronto para oficializar a dispensa da proteção sanitária, foi a antecipação da vacinação contra aftosa em 2020. Na última semana, Covatti Filho e o governador do estado, Eduardo Leite, vieram à Brasília para pedir o adiantamento à ministra da Agricultura Tereza Cristina. Autorizada, a campanha – que aconteceria em maio – deve ser iniciada na primeira quinzena de março.

“Como o Rio Grande do Sul tem que ficar um ano sem vacinar para conseguir a retirada de vez da vacina e nós precisamos fazer o pedido [de fim da imunização] um ano antes para a Organização Mundial [da Saúde Animal] – sendo que eles se reúnem uma vez por ano em maio – então, por isso, que nós precisamos vacinar o rebanho em março. Se fosse pelo rito normal, em maio, daí não conseguiríamos retirar em 2021”, explicou Covatti Filho durante passagem por Brasília.

De acordo com a assessoria de Covatti Filho, entre os produtores, atualmente, há a preferência pela retirada da vacina. Mas, há também, a cautela de esperar pelas adequações do estado às exigências feitas pelo Mapa. Ainda durante viagem à Brasília, Covatti Filho afirmou que o cumprimento das demandas é possível. Os pontos mais complexos são os que exigem a aquisição de 100 veículos novos e a contratação de 150 auxiliares administrativos. À época, o secretário não soube especificar o investimento necessário para as adaptações, mas adiantou que as licitações já estão em elaboração.

Entre os pontos positivos da evolução do status sanitário estão a abertura de mercados internacionais e o ganho de valor à proteína animal comercializada. Entre os negativos está, segundo Covatti Filho, a necessidade de redobrar a atenção na defesa a fim de evitar contaminações e, consequentemente, prejuízos aos produtores.

Fonte: Canal Rural

20 de fevereiro de 2020 às 20h20

Por Paola Cuenca, de Brasília (DF)

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