Resultado da Frimesa caiu 20% em 2016

A alta dos preços do milho no ano passado afetou o resultado da central de cooperativas Frimesa. Apesar de atuar apenas na industrialização de suínos e lácteos e não comprar grãos diretamente, a necessidade de sustentar os cooperados das cinco associadas fez com que a Frimesa tivesse de pagar preços acima do mercado na aquisição de matéria-prima, como suínos, de suas associadas.

Nesse cenário, o resultado (sobras, equivalente ao lucro das cooperativas) da Frimesa foi de R$ 51,8 milhões no ano passado, queda de 20,5% na comparação com as sobras de R$ 65,2 milhões de 2015. O desempenho também ficou abaixo das projeções iniciais da cooperativa, que esperava um resultado de R$ 77 milhões, afirmou o presidente da Frimesa, Valter Vanzella.

De acordo com o dirigente, o resultado foi "satisfatório", tendo em vista o contexto. Para a Frimesa, sustentar as associadas – as cooperativas C. Vale, Copacol, Lar, Copabril e Primato – é uma missão, mesmo porque as associadas são as donas da própria Frimesa. "Tem que repassar um valor que cubra os custos dos cooperados", explicou.

Em alguns momentos de 2016, a Frimesa chegou a pagar R$ 3,50 por quilo de suíno vivo quando os preços de mercado estavam mais próximos de R$ 3,00. Não fosse essa necessidade, a central de cooperativas teria lucrado R$ 175 milhões, conforme Vanzella.

Em termos de vendas, porém, a Frimesa registrou crescimento. Em 2016, o faturamento da cooperativa somou R$ 2,56 bilhões, alta de 15% sobre os R$ 2,23 bilhões do ano anterior. Para 2017, a expectativa da Frimesa é faturar em torno de R$ 3 bilhões.

Ao Valor, o presidente da cooperativa destacou que, mesmo com a conjuntura delicada para o setor de suínos, a Frimesa conseguiu abater 1,898 milhão de animais no frigorífico que tem em Medianeira (PR), no oeste do Paraná. Trata-se de um aumento de 14,6% na comparação anual. De acordo com Vanzella, o número também ficou próximo da meta de abates de 1,909 milhão.

Atualmente, o negócio de carne suína representa quase 70% do faturamento da Frimesa – o setor de lácteos responde pelo restante. Segundo o dirigente, o mercado interno é o principal da cooperativa, sobretudo com as vendas processados – como linguiça, presunto. No mercado externo, a cooperativa obteve 14% do faturamento.

Com o frigorífico de suínos operando quase a plena capacidade – com abates de 6,9 mil suínos por dia -, a Frimesa se prepara para iniciar a construção de um novo abatedouro. Já anunciada, as obras da planta que será erguida em Assis Chateaubriand (PR) começarão em maio, previu Vanzella. A expectativa é que a unidade entre em operação em 2020, segundo ele.

Quando estiver concluído, o frigorífico, que custará R$ 800 milhões, terá capacidade para abater 14 mil suínos por dia. Na primeira fase, porém, a unidade será capaz de abater 3,5 mil suínos, e o investimento inicial será de R$ 500 milhões, de acordo com Vanzella.

  • Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo
  • Fonte : Valor

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