Resíduos Agropecuários: empresários investem no desenvolvimento de máquinas para reaproveitamento de matéria orgânica

Sustentabilidade no campo é oportunidade de negócios para fabricantes de equipamentos

Avesuy/Divulgação

Foto: Avesuy/Divulgação

Catarinense Avesuy movimenta R$ 8 milhões com a comercialização de equipamentos como biodigestores

Nas últimas décadas, a difusão dos ideais depreservação ambiental fertilizou o terreno paranovos negócios. Atentos às tendências sustentáveis e, sobretudo, à carência técnica do meio rural, empresários perceberam a oportunidade de ampliar sua atuação por meio do desenvolvimento de equipamentos que facilitam a lida ecologicamente correta no campo.

A partir da década de 1980, principalmente, empresas do segmento de máquinas e implementos agrícolas decidiram se especializar na produção de ferramentas específicas para atividades agropastoris comprometidas com oreaproveitamento de resíduos sólidos. Este é o caso de duas catarinenses: a Lippel e a Avesuy.

A Lippel movimenta, por ano, R$ 40 milhões  com maquinário para transformação de biomassa em energia renovável. Criada em 1975, a empresa do Vale do Itajaí decidiu apostar no ramo há cerca de 20 anos. Hoje, dedica-se exclusivamente ao negócio.

– Investimento em energia renovável é retorno certo para qualquer tipo de investidor em curto prazo. Combustível é subsistência – avalia o gerente de negócios Michel Rodrigo Santos.

A linha de produtos da Lippel inclui briquetadeiras, extrusoras, fornalhas, secadores e outros equipamentos. Com atuação em toda a América Latina, a empresa é líder no México e no Paraguai.

Gigantes do setor de alimentação, como BRF e Marfrig, integram a carta de clientes da Avesuy. A principal linha de atuação do grupo é projetos voltados ao tratamento de efluentes, principalmente para suinocultura, avicultura e bovinocultura (de corte e de leite).

Surgida em Xanxerê, no oeste catarinense, a firma iniciou atividades no comércio varejista de gás para aviários em 1980. Atualmente, movimenta R$ 12 milhões com a produção biodigestores, máquinas de compostagem e cisternas.

– Temos exemplos de granja de suínos que conseguem uma economia mensal ao redor de R$ 8 mil no custo da energia elétrica. Temos outras que já conseguem vender o excedente de produção de energia – conta o engenheiro agrônomo da Avesuy, Fabiano Martimiano, ao mencionar a utilização de biodigestores.

No ano passado, o mercado de máquinas e equipamentos movimentou R$ 60,2 bilhões no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Apesar disso, não há estatísticas que reproduzam a fatia correspondente aos implementos que atendem à produção sustentável.

De acordo com a gigante AGCO Group, terceira maior fabricante mundial do setor, mais de 50% da frota rural brasileira tem entre 25 e 30 anos de uso. O diagnóstico traçado pela multinacional não é preciso, mas dá pistas do cenário atual: a maior parte dos equipamentos utilizados por pecuaristas e agricultores sequer atende às exigências ambientais, que dirá auxilia em práticas sustentáveis. Boa notícia para os empresários.

–  Cremos que há muito para crescer ainda, o mercado apenas está começando. Com o tempo, todos os setores terão de se adequar ambientalmente, caso contrário, não irão sobreviver no mercado – afirma Martimiano.
>>> Esta é a segunda matéria da série especial Resíduos Agropecuários: Sustentabilidade e Renda, que passará a ser publicada todos os sábados no RuralBR até meados de junho. As reportagens mostrarão como o reaproveitamento movimenta a economia brasileira e que iniciativas estão sendo realizadas por agricultores e pecuaristas do país.

Fonte: Rurralbr | Kellen Moraes | kellen.moraes@ruralbr.com.br

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