Representantes da Federação da Agricultura se reúnem com Ministério da Agricultura para negociar reajuste acima dos 5% já definidos

Plantio de trigo começa com preço mínimo em discussão

Plantio de trigo começa com preço mínimo em discussão Roberto Marques/Divulgação/Coopatrigo

No final de março, governo federal anunciou que a tonelada do cereal ficaria em R$ 557,50Foto: Roberto Marques / Divulgação/Coopatrigo

Apesar do potencial de ampliação de até 8,9% na área plantada com trigo no Estado, o cultivo do grão começa em clima de dúvida e marcado por um preço mínimo ainda em discussão. No final de março, quando o governo federal anunciou que a tonelada do cereal ficaria em R$ 557,50, produtores como Ivo Batista, presidente da Cooperativa Tritícola Regional São-Luizense (Coopatrigo), começaram a recuar no projeto de aumento da área semeada.

Na quinta-feira, o agricultor deu início ao cultivo em mil hectares em São Luiz Gonzaga, Bossoroca e Rolador. Inicialmente, era para ser uma área 20% maior.

— Decidi manter o mesmo espaço do ano passado. Com um custo 15% maior, o governo faz um reajuste de 5%? Vou é aumentar o plantio de milho mais adiante — explica Batista, que pode rever a decisão caso tenham sucesso as negociações do setor para que o governo reveja seus cálculos.

Amanhã, em reunião com o secretário de política agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, a Federação da Agricultura (Farsul) defenderá que o custo de produção adotado pelo governo na análise do reajuste está equivocado— e por isso o índice teria ficado tão baixo.

— Foi utilizado custo estimado pela Conab de Brasília. É preciso olhar a planilha gaúcha — alega o presidente da comissão de trigo da Farsul, Hamilton Jardim, que defende reajuste de 16,38%.

Há incerteza, ainda, sobre possíveis reflexos nos preços, dado o cultivo do cereal no mundo, que avança entre os principais países produtores. O abastecimento gaúcho é influenciado, no Brasil, pelo Paraná, e por outros países do Mercosul, como Paraguai.

— Paraná e Paraguai estão semeando uma grande área. Apenas do Paraná podem sair 3,4 milhões de toneladas. Mas o clima é sempre imprevisível, e não há certeza sobre o que se vai colher, basta olhar as perdas do ano passado — observa Jardim.

A Argentina, outro grande produtor mundial, também pode trazer novidades: o país está aumentando o plantio e os líderes rurais pressionam o governo a liberar as exportações.

O cultivo no Brasil e no mundo

No Brasil, a estimativa da Conab é de que o cereal cubra 2,5 milhões de hectares. No Rio Grande do Sul, a companhia estima o cultivo em 1,08 milhão de hectares e, no Paraná, em 1,26 milhão. O restante viria de Santa Catarina, Sudeste e Centro-Oeste .

Na Argentina, a semeadura deve ocorrer em 4,2 milhões de hectares, ante 3,6 milhões no ciclo passado.

O Canadá, outro grande produtor, deve novamente ter uma grande colheita, mesmo se a área for reduzida.

A crise na Ucrânia, grande produtor mundial, ajuda a impulsionar o plantio e sustentar os preços em alta.

A seca está castigando o cinturão do trigo dos Estados Unidos, reduzindo as perspectivas de produção no país.

Fonte: Zero Hora | por Thiago Copetti

01/06/2014 | 17h43

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