Renuka pressiona credor para obter dinheiro novo

A renegociação das dívidas da Renuka do Brasil, grupo sucroalcooleiro controlado pela indiana Shree Renuka Sugars, com os bancos credores tem sido complicada, segundo apurou o Valor. A companhia teria proposto ao sindicato de bancos credores que libere R$ 200 milhões em dinheiro novo para capital de giro, e promova um generoso alongamento das dívidas da companhia, da ordem de R$ 1,5 bilhão.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, a proposta da Renuka é alongar o endividamento por pelo menos 15 anos, com carência de quatro anos. O CEO do grupo controlador, o empresário indiano Narendra Murkumbi, teria dito a interlocutores que partirá para a recuperação judicial, caso os bancos não aceitem a proposta.

Ao fim da safra 2013/14, em 31 de março deste ano, a dívida bancária das duas unidades paulistas da empresa era de R$ 1,465 bilhão, superior à receita obtida no mesmo ciclo (R$ 1,046 bilhão).

Essa é a terceira renegociação da Renuka do Brasil desde que a companhia indiana adquiriu o controle do negócio, em meados de 2009, do grupo Equipav, do ramo de construção. A nova rodada se tornou necessária porque, além de ter um endividamento elevado, o canavial das usinas paulistas da empresa, localizadas na região oeste do Estado, sofrem mais uma vez com uma forte estiagem, o que deverá reduzir a moagem. Nesta safra 2014/15, as duas usinas previam moer 10 milhões de toneladas de cana, mas a estiagem tende a reduzir esse número para algo entre 8 milhões e 8,2 milhões de toneladas.

Os principais bancos credores da companhia – Bradesco, Santander, Votorantim, Banco do Brasil e Itaú – devem se reunir nesta sexta-feira com a consultoria Galeazzi & Associados, contratada pela Renuka, juntamente com os advogados Joel Thomaz Bastos e Ricardo Sanches, do escritório Dias Carneiro, para liderar a renegociação com os credores.

Na temporada 2013/14, a Renuka do Brasil teve prejuízo líquido de R$ 306,8 milhões, ante resultado líquido também negativo de R$ 281,4 milhões no exercício anterior. A companhia foi penalizada por uma despesa financeira 22,8% ma or no período, de R$ 307,8 milhões.

Segundo fontes, os bancos resistem a aceitar a proposta da Renuka. Eles até consideram conceder um período de carência para retomada dos pagamentos. No entanto, sob a condição de que os sócios fizessem um aporte no negócio, de forma a dar segurança aos credores de que o capital de giro para a continuidade das operações está assegurado.

Somando-se as usinas de São Paulo, do Paraná (Renuka Vale do Ivaí) e da Índia, a Shree Renuka Sugars, que tem capital aberto na bolsa de Mumbai e como sócio a trading de Cingapura Wilmar, opera 11 unidades com capacidade total de moagem de 20,7 milhões de toneladas de cana anuais e duas refinarias de açúcar na Índia.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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