Renuka negocia empréstimo de R$ 100 milhões

A Renuka do Brasil, subsidiária de açúcar e etanol da indiana Shree Renuka Sugars, listada na bolsa de Mumbai, negocia um empréstimo de R$ 100 milhões com seus bancos credores no Brasil para tentar dar fôlego à operação da safra 2012/13 de cana, cuja colheita já está em andamento.

Para liberar os recursos, as instituições credoras impõem como condição que a companhia indiana realize um aumento de capital de US$ 100 milhões. Outra exigência é que a nova dívida seja avalizada pela matriz da empresa, na Índia. Procurada, a Shree Renuka preferiu não comentar.

O endividamento da Renuka no Brasil é de cerca de R$ 1,3 bilhão. A maior parte está no longo prazo e é resultado da aquisição das duas usinas paulistas da Equipav Açúcar e Álcool, em 2009. Desde então, a empresa já investiu R$ 1,050 bilhão no país, dos quais R$ 820 milhões em São Paulo e o restante nas duas usinas do Paraná, compradas também em 2009 da Vale do Ivaí.

Além de ter absorvido um elevado endividamento na aquisição paulista, a empresa vem enfrentando no Brasil seguidas safras marcadas por problemas climáticos. No ciclo 2011/12, encerrado em março, a moagem foi de 8,3 milhões de toneladas de cana, queda de 20% sobre o ciclo anterior. Os canaviais das usinas de São Paulo, localizadas na região de Araçatuba, foram atingidas no ano passado por duas geadas. Vinham também de baixos investimentos em tratos culturais, o que tornou a cana mais suscetível às intempéries.

Por causa da estiagem do primeiro trimestre deste ano, a empresa dificilmente deverá recuperar nesta temporada 2012/13 o patamar de moagem de dois anos atrás – na safra 2010/11, a Renuka processou 10,4 milhões de toneladas no país. Segundo apurou o Valor, a empresa deve atingir este ano um processamento de 9,6 milhões de toneladas da matéria-prima no Brasil.

Na última sexta-feira, o executivo Humberto Junqueira de Farias, que era CEO da empresa no Brasil, desligou-se da companhia e assumiu a presidência da Delta Construções, companhia carioca envolvida em escândalos de corrupção e que foi comprada pela J&F Participações, holding que controla, entre outros negócios, a JBS.

O Valor apurou que Farias já estava fora da presidência da Renuka do Brasil há pouco mais de uma semana e que o cargo de CEO já havia sido assumido pelo executivo Paulo Zanetti, que era presidente das duas usinas paranaenses controladas pela Renuka.

Desde meados de 2011, a indiana busca uma alternativa para se capitalizar no Brasil. Segundo fontes do segmento, a empresa tentou vender seus projetos de cogeração de energia, mas diante dos baixos preços ofertados pela eletricidade nos leilões regulados teve dificuldades para conseguir um comprador que pagasse um valor que tornasse viável a venda. Outra alternativa estudada foi a venda de uma fatia minoritária – de 20% a 25% – da holding brasileira, a Renuka do Brasil, para um sócio estratégico, opção que também não avançou.

No Brasil, a empresa tem capacidade industrial para processar 14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Na Índia, também é uma das principais produtoras de açúcar, com capacidade para moer cerca de 7 milhões de toneladas de cana.

Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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