RENTABILIDADE NEGATIVA PARA A TRITICULTURA

A manutenção da Tarifa Externa Comum (TEC) de 10% para importação de trigo de fora do Mercosul e a revisão do preço mínimo do trigo pelo governo federal serão fundamentais para a rentabilidade do triticultor na safra que começa a ser semeada na segunda quinzena deste mês no Estado.

Ao apresentar ontem estimativas de custo de produção e renda, na Capital, o presidente da Fecoagro, Paulo Pires, disse que o triticultor tem feito sua parte e investido em tecnologia para elevar a eficiência e a qualidade do pão na mesa do consumidor, mas é preciso que o governo federal se posicione. ‘O Brasil precisa decidir se quer ou não ser autossuficiente. Se quer, a TEC não pode cair’, reforçou. A reunião da Camex, que irá analisar o pedido de suspensão feito pela Abitrigo será no dia 22, em Brasília. Recentemente, após audiência no Ministério da Agricultura, a Farsul saiu otimista de que não haverá a supressão.

O levantamento feito pela Fecoagro em 46 cooperativas que respondem por 70% da área cultivada no Estado indica que a rentabilidade do triticultor está negativa. O cálculo considera valores de maio na comparação com outubro de 2013 e produtividade média de 45 sacas/hectare. Com o preço da saca em R$ 35,00 no mercado e custo de produção de R$ 43,17, o prejuízo seria de 23,34%. Na comparação com o preço mínimo de R$ 33,45, a renda negativa chega a 29,05%. De acordo com superintendente da Fecoagro, Tarcísio Minetto, após a Copa será feita uma atualização dos dados devido a incertezas no cenário econômico. Em comparação ao ciclo passado, a alta no custo total foi de 13,45%, e no custo variável, de 18,23%, percentuais bem acima da inflação, chamou atenção o economista.

Despesas com diesel, mão de obra e arrendamento puxaram os índices, também superiores aos 5% de reajuste promovido pela União sobre o preço mínimo. A Fecoagro já pediu ao Ministério da Agricultura acesso às planilhas utilizadas para a correção do valor. Minetto sustenta que há discrepância entre os dados levantados pela Conab/RS em painéis com presença de produtores no Estado e os que são utilizados pela Conab em Brasília. Se comprovado, haveria uma chance de reavaliação do preço mínimo.

Projeção

A despeito das incertezas e da projeção de aumento de 20% na produção do Paraná, a Fecoagro prevê nova safra recorde de trigo no RS, com área 5% superior aos 1,03 milhão de hectares de 2013. Isso daria ao Estado o potencial de produção superior a 3,2 milhões de toneladas.

Conab alega metodologia distinta

Ao negar discrepâncias, o superintendente de Gestão de Oferta da Conab/DF, Paulo Morceli, sustenta que os custos dos insumos levantados nos painéis estaduais são atualizados mensalmente devido a oscilações. E acrescenta que, no caso do trigo, a planilha gerada em novembro de 2013, com base nos preços de setembro que embasou o preço mínimo, considerou a média de quatro municípios: Londrina e Cascavel (PR), Passo Fundo e Cruz Alta. ‘Tratam-se de metodologias diferentes. O trigo foi o único produto que o governo aceitou cobrir o custo variável e mais 5%. Mas é a velha briga para cobrir o custo total’, diz.

Fonte: Correio do Povo

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