Renda estimula demanda por fertilizantes especiais

Silvia Costanti/Valor / Silvia Costanti/Valor
"É mais barato e eficiente aumentar a produtividade", diz Pansa, da Nutriplant

A demanda brasileira por fertilizantes especiais – micronutrientes, extratos vegetais e aminoácidos – ganhou um impulso a mais: a estiagem nos Estados Unidos, que elevou ainda mais os preços dos grãos, entre os quais a soja. A maior renda dos produtores brasileiros deverá ser um estímulo adicional para um consumo que já vem apresentando forte expansão nos últimos anos.

O uso desses produtos contribui para melhorar a defesa vegetal e o equilíbrio da nutrição das plantas, como se fossem vitaminas. Estima-se que eles podem elevar a produtividade em cerca de 10%, a partir de um custo adicional inferior a 1%.

Uma das empresas que continuam a apostar no crescimento desse mercado é a Nutriplant. A empresa fez recentemente uma reestruturação com foco em micronutrientes foliares e outros produtos para nutrição de plantas, considerados mais rentáveis. "É mais barato e eficiente aumentar a produtividade do que ampliar a área plantada. A gente percebeu um crescimento acentuado nos últimos anos neste mercado", diz Ricardo Pansa, diretor-presidente da Nutriplant.

A empresa, que atende a todos os tipos de produtores, tem fechado também contratos com grandes multinacionais que atuam na produção agrícola. E pretende ganhar participação no mercado.

A Nutriplant trabalha com três linhas de micronutrientes solúveis, produtos que ajudam a aumentar a eficácia de fertilizantes e defensivos. A companhia acredita que o mercado de fertilizantes especiais alcance R$ 7 bilhões ao ano, apesar de a taxa de uso ainda ser considerada baixa. E cita uma pesquisa realizada pela Esalq/USP que comprova a viabilidade econômica. No estudo, o uso de determinado produto na cultura da soja representa um custo adicional de R$ 7 por hectare para um rendimento extra de R$ 930 por hectare.

O lançamento de alguns produtos a partir do próximo ano está nos planos da companhia, que não informa quanto vai investir nessa ampliação de portfólio. "A gente imagina que a velocidade de penetração desses produtos seja bastante rápida", observa Pansa. Entre as novas tecnologias pesquisadas, há microrganismos que poderão substituir defensivos ou aumentar a produtividade.

Um dos termômetros do aumento da demanda está no crescimento superior a 60% da receita operacional líquida da empresa no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 2011 – de R$ 15,2 milhões para R$ 24,5 milhões.

Um outro exemplo de crescimento vem da Fertilizantes Heringer. Com um leque amplo para as mais diversas culturas (cerca de 35 produtos), os fertilizantes especiais, que representavam 10% do volume comercializado em 1996 e 1997, saltaram para 35% em 2011.

No primeiro semestre deste ano, a fatia cresceu mais um pouco – foi de 39%, ou 747 mil toneladas em um total vendido de 1,928 milhão de toneladas, incluindo também os produtos tradicionais. Como a demanda é maior no segundo semestre, a empresa acredita que deverá fechar 2012 com percentual acima dos 35% de participação no ano passado.

"O que faz com que cresça [mercado] é o resultado que o produtor tem, o que vem acontecendo", diz Wilson Mardonado, diretor de relações com investidores da Heringer.

Junto com universidades, a empresa também pesquisa novos produtos. Um dos desafios é potencializar o uso do nitrogênio e não deixar que a ureia se perca quando aplicada no solo. O Brasil consome menos o nutriente em relação ao resto do mundo, conforme Mardonado.

A Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), que representa cerca de 70% das empresas desse segmento, estima que somente o mercado de micronutrientes gire em torno de R$ 2 bilhões ao ano, embora não existam números precisos sobre o segmento. O aumento médio da produtividade é de 7% a 10%, mas pode ser muito maior dependendo do nível tecnológico do produtor, acredita Gilberto Pozzan, diretor de fertilizantes foliares e micronutrientes da Abisolo. Para ele, o custo é inexpressivo. No caso da soja, diz, é necessário investir um valor equivalente a meia saca do grão por hectare, o que em alguns casos representa menos de 1% de custo adicional frente aos insumos tradicionais.

"O aquecimento do mercado mostra que o produtor está acreditando na tecnologia", diz Pozzan. Muitas empresas de defensivos, por exemplo, estariam interessadas em entrar no segmento, na avaliação dele. "A própria nutrição mais equilibrada da planta diminui a demanda por defensivos".

Com boas perspectivas, esse mercado deverá passar por uma consolidação, com as pequenas empresas "engolidas" pelas grandes. É o que prevê Richard Brostowicz, diretor da Informa Economics FNP. Para ele, as pequenas companhias, que faturam menos de R$ 1 milhão, devem sair do mercado ou ser compradas. Por isso, o número de empresas deve diminuir, apesar de "novos entrantes" no ramo. De acordo com a Informa, o setor de fertilizantes foliares cresce de 8% a 9% ao ano, num mercado estimado em 135 milhões de litros por ano. A soja representa cerca de 55% desse total. No futuro, além da soja, deverá haver um maior crescimento em milho safrinha e arroz.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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