Relatório e ações ambientais ganham conceito mais amplo

Na maioria das vezes, o relatório ambiental é uma publicação separada dos demais informes da empresa – e relegada a uma área do site dedicada à sustentabilidade. Mas, nos últimos anos, a orientação passou a ser reunir em uma única publicação as informações financeiras – lucro, vendas etc. – e socioambientais. É o chamado relato integrado ou anual."A gente precisa acabar com o mundo paralelo da sustentabilidade, porque a empresa é uma só. Os investidores ficam aguardando os relatórios para decidir se aumentam ou diminuem o investimento na empresa. Se o relatório de sustentabilidade não vem junto com o relatório financeiro, os aspectos ASG não entram na tomada de decisão", explica Sônia Favaretto, da GRI Brasil. Os critérios da GRI podem ser transplantados para o relato integrado, cujo modelo mais conhecido é o do Conselho Internacional de Relatórios Integrados (ICCR, na sigla em inglês).

Mas, para quem quer realmente fazer o dever de casa, o céu é o limite.

Muitas empresas relacionam cada um de seus indicadores com os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Outras, calculam suas emissões de gases de efeito estufa e as publicam na plataforma do Projeto de Divulgação de Carbono (CDP, da sigla em inglês), considerada a mais completa base de dados ambientais autodeclarados do mundo.

E nada impede que, além de tudo isso, a empresa adquira um certificado do ISO 14001, que atesta que a organização tem políticas de gestão de riscos ambientais, controle de emissões e descarte adequado de resíduos.

Ferramentas não faltam, mas fica o alerta: é preciso estar disposto a mudar rotinas e processos."Esses frameworks são abertos, mas são complexos. Quando uma empresa quer fazer o relatório só porque é marketing, ou porque um stakeholder pediu, mas sem mexer na casa antes, isso não ajuda muito a empresa. É preciso ter indicadores relevantes para mostrar", alerta Estela Kurth, consultora certificada em relato integrado IIRC e GRI Standard. Outro fator determinante é que a alta liderança da companhia compre a ideia – e leve todo o resto da equipe a comprá-la também."Sustentabilidade não compete só a três ou quatro ambientalistas dentro da empresa. É uma decisão do dia a dia, da organização e de todo mundo. A pessoa que faz a gestão do refeitório, por exemplo, pode diminuir o desperdício de alimentos e promover a reciclagem", esclarece Isabela Domenici, sócia da consultoria Ricca Sustentabilidade.

Fonte: Jornal do Comércio

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