Relatório da ApexBrasil avalia consequências da pandemia no comércio global

Em relatório de inteligência de mercado de abril de 2020, intitulado Mercados globais e coronavírus, a ApexBrasil prevê que a América Latina estava em vias de se tornar um foco importante da Covid-19 "nas próximas semanas".

O documento chama atenção para o impacto da pandemia na Argentina, com queda signiicativa da arrecadação de impostos no primeiro trimestre, tendência a redução nas vendas de veículos e turismo em colapso após o cancelamento de 154 voos semanais em razão do fechamento de fronteiras.

Em termos de acesso a mercado, o relatório enfatiza que o governo argentino zerou a tarifa de importação de álcool, artigos de laboratório ou farmácia, desinfetantes, equipamentos e outros insumos considerados relevantes para o combate ao novo coronavírus. Em relação às exportações, restringiu a comercialização de respiradores mecânicos, com eventuais exceções arbitradas pelo Ministério da Saúde.

O Chile, conforme o estudo, sofreu com a queda do preço e das exportações de cobre, provocada especialmente pela desaceleração da economia chinesa. As vendas do agronegócio, especialmente vinhos, frutos do mar, cerejas e mirtilos, sofreram com a retenção de produtos em portos da China.

Por outro lado, os produtores chilenos de carne sonham com a expansão das vendas para a China dos atuais 12% da produção nacional para 25%. Já o Paraguai registrou queda de 27% nas importações em janeiro e fevereiro. A fatia da população paraguaia que vive na informalidade é de 47%.

Em relação à China, foco inicial da pandemia do novo coronavírus, o relatório informa que as vendas no varejo diminuíram 20,5% em relação ao ano anterior. O país deve apresentar o menor crescimento anual em décadas, estimado por organismos internacionais entre 1,2% e 1%. O gasto das famílias, com previsão inicial de aumento de 7,2%, deverá crescer 2%, de acordo com a agência de avaliação de crédito Fitch.

O relatório mostra que as vendas de alimentos e bebidas não alcoólicas aumentaram este ano na China, mas que, no primeiro bimestre, as vendas de álcool e tabaco caíram 15,7% em relação a igual período do ano passado. O fechamento de bares de karaokê, muito populares no país, foi uma das principais causas da redução.

Um dos setores que experimentou crescimento acentuado foi o de entrega de alimentos (delivery). Os pedidos de entrega sem contato físico entre o entregador e o cliente responderam por mais de 80% do total de pedidos em fevereiro no País.

Fonte: Jornal do Comércio

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