RELAÇÕES INTERNACIONAIS – Cúpula do Mercosul recebe os presidentes na serra gaúcha

Encontros ocorrem no Spa do Vinho, no Vale dos Vinhedos

Encontros ocorrem no Spa do Vinho, no Vale dos Vinhedos

MELL HELADE/DIVULGAÇÃO/JC

Durante a Cúpula do Mercosul, que termina hoje em Bento Gonçalves com os principais líderes de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, além da assinatura de acordos, o evento marca também o fim da presidência pró-tempore do Brasil no bloco. Pelos próximos seis meses, o comando do Mercosul será do governo paraguaio.

O principal item da agenda, a revisão da TEC (tarifa externa comum), ficará para o ano que vem. Ocorreram avanços nessa discussão, mas não foi possível chegar a um acordo agora. Os encontros ocorrem no Spa do Vinho, no Vale dos Vinhedos. Em vez disso, serão anunciados um acordo de reconhecimento de indicação geográfica para produtos locais – nos moldes do existente na União Europeia -, a redução da burocracia e a diminuição de custos para o funcionamento do bloco e um acordo de proteção policial nas fronteiras.

Também hoje deve ser anunciado hoje um acordo automotivo entre o Brasil e o Paraguai, conforme antecipado pelo presidente Jair Bolsonaro. O setor automotivo não foi incluído nas regras comerciais do Mercosul. Por essa razão, os países que integram o bloco (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) estabeleceram acordos bilaterais para reduzir ou eliminar tarifas no setor. O Paraguai é o único entre os integrantes do Mercosul que ainda não mantém um acordo do tipo com o Brasil.

Se aprovado, o acordo automotivo pode ampliar as exportações de automóveis do Brasil para o Paraguai. O país vizinho também tende a se beneficiar, já que exporta peças e equipamentos que são usados na montagem de carros no Brasil.

Ontem, em seu discurso, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo disse que o Mercosul saiu da caverna e está à luz do sol. "Apagou-se a memória do Mercosul protecionista. Saímos para a luz do sul, e não voltaremos à caverna", afirmou.

Bolsonaro diz que vai manter relações com a Argentina

Ontem, ainda em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro disse que a Argentina sofrerá mais prejuízos que o Brasil caso decida romper acordos comerciais entre os dois países.

No Palácio do Alvorada, onde parou para cumprimentar um grupo de eleitores, ele informou que, apesar de não ter uma afinidade ideológica com o governo eleito no país vizinho, não rasgará contratos e manterá uma relação pragmática com a Argentina.

"A Argentina deu uma guinada para a esquerda. A gente vai para o pragmatismo. A gente brigando, a Argentina perde muito mais. Mas eu não quero perder um dedinho. E vamos continuar fazendo negócios", relatou o presidente brasileiro.

Bolsonaro disse que o país vizinho passa por uma situação econômica "complicadíssima" e criticou a possibilidade de o Banco Central da Argentina emitir papel moeda diante de um quadro de crise.

"Nós temos de honrar contratos. Não podemos rasgar acordos, porque perdemos credibilidade", finalizou. O presidente ressaltou que não sairá da reunião do bloco econômico, promovida hoje em Bento Gonçalves, de "mãos vazias".

A cúpula acontece em meio a mudanças políticas na América Latina, em especial com a eleição de Alberto Fernández na Argentina e os protestos que ocorrem no Chile há semanas por questões sociais.

Fonte : Jornal do Comércio