Região Sul também sofre com os efeitos de mais uma estiagem

Na Região Sul do país, também há atrasos. No Paraná, segundo o Deral (Departamento de Economia Rural), até a última semana de fevereiro 8% da área cultivada foi colhida – no mesmo período de 2020, o índice era de 22%. Mesmo assim, a expectativa é que o estado gere 20,34 milhões de toneladas do grão, cerca de 2% menos do que no ano passado.

Produtores paranaenses de feijão estão colhendo prejuízos ainda maiores. Já no final da colheita, a primeira safra apresenta produção esperada de 254,5 mil toneladas, 19% menos do que o registrado no período anterior. A estiagem, primeiro, e o excesso de chuvas no final de dezembro e janeiro, depois, reduziram a produtividade e a qualidade do produto. A citricultura também foi atingida e fez com que a quebra na safra fique entre 30% e 50% para alguns produtores, dependendo da região, segundo Antônio Carlos Simonetti, presidente da ABCM (Associação Brasileira dos Citros de Mesa). "A fruta não se desenvolveu, não ganhou peso. Em vez de ter caldo, ficou mais bagacenta, com pouco caldo, e isso postergou a colheita", afirmou. A safra toda, conforme o Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), foi reestimada em 269,01 milhões de caixas (de 40,8 kg), 6,52% inferior à estimativa feita em maio.

A avaliação do setor é de que os preços deverão apresentar alta no decorrer da safra. Hoje, a caixa custa de R$ 38 a R$ 40 (laranja de mesa) e R$ 28 (indústria).

"Vai ter vácuo de laranja, vai faltar fruta", disse Simonetti. Diretor-executivo da CitrusBR (associação dos exportadores), Ibiapaba Netto afirmou que o cenário em algumas regiões foi desolador.

"O fruto não se desenvolveu nos pomares e não foi possível colher para vender. Em outro, árvores morreram." No café, desde março de 2020 as condições estão diferentes no cerrado e no sul de Minas Gerais, com chuvas abaixo da média e irregulares, o que, aliado às altas temperaturas entre agosto e outubro, prejudicaram a planta. Com isso, a perspectiva na área de atuação da Cooxupé, sediada em Guaxupé (MG) e maior cooperativa do mundo, é a de que a próxima safra seja inferior à de 2019 –o café é uma cultura marcada pela bienalidade, ou seja, produz muito um ano e menos no seguinte, daí a comparação ser com dois anos atrás.

A previsão de safra deste ano não está fechada, mas em 2019 foram colhidas 7,7 milhões de sacas de café. "A planta precisa de nutrição e controle de pragas e doenças no período correto. Se não tem chuva regular, atrasa a nutrição e ela não tem o desenvolvimento adequado", disse o engenheiro agrônomo Eder Ribeiro dos Santos, coordenador do departamento de geoprocessamento da Cooxupé.

Fonte: Jornal do Comércio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *