REFORMA AGRÁRIA | Divergências também em solo gaúcho

A discussão em torno da reforma agrária e do termo latifúndio é um tema que os ruralistas dizem estar superado, pelo menos em território gaúcho.
– Não existe ninguém que possa se dar ao luxo de ter terra apenas como reserva de capital, ainda mais com os preços praticados pelo mercado – afirma Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura no Estado (Farsul).
A afirmação do dirigente é feita com base na valorização do agronegócio na última década, puxada por avanços produtivos nas lavouras e em rendimentos maiores. Para Gedeão, o que existem são propriedades "altamente bem exploradas e outras medianamente exploradas".
– O que importa não é o tamanho da área, mas a atividade desempenhada nela. É mais fácil encontrar uma agulha no palheiro do que uma terra improdutiva no Rio Grande do Sul – complementa Gedeão.
A análise de ruralistas é contestada por integrantes gaúchos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que garantem ainda existir áreas improdutivas no Estado. De acordo com Adelar Pretto, um dos coordenadores do MST estadual, a concentração de terras nas mãos de pecuaristas na década de 1990 está agora inserida em outro modelo de agronegócio, financiado com recursos públicos e dominado por diferentes multinacionais.
– Esse modelo é insustentável, com uso excessivo de agrotóxicos nocivos à saúde humana, especialmente no Rio Grande do Sul. A concentração de terras no Estado só mudou de mãos e de lógica de produção. A capacidade de produzir alimentos saudáveis e com qualidade ainda é do pequeno produtor rural – avalia o representante do MST.

Fonte: Zero Hora

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