Referência mundial em biogás, país atrai investidor

Com o desenvolvimento de energias renováveis em estágio avançado no Brasil, medidas para continuidade da liderança do país na área foram levantadas no painel "Energia no Contexto da Economia Sustentável" de seminário realizado na Fiesp dias 6 e 7.

Entre os desafios para o país permanecer como referência na sustentabilidade energética, foram apontados o fôlego para prosseguir investindo no setor e o desenvolvimento de novas matrizes de transporte. Entre os pontos que corroboram para a liderança brasileira foram destacados os projetos de biocombustíveis, a geração de 80% da energia consumida com hidrelétricas e a política regulatória específica – com similares apenas na Áustria e na Alemanha. "O Brasil é referência mundial em biogás e possui legislação clara para o setor, o que contribui com investidores interessados em desenvolver projetos", destacou o assistente da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi) no Brasil, Marcelo Alves de Souza.

Mesmo com marco regulatório avançado, o gerente geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Rodrigo Lima, lembra que ainda falta criar legislação para o desenvolvimento de combustíveis de aviação e marítimo. Outra preocupação de Lima é a continuidade de investimentos no setor. Ele ressalta que enquanto a China possui 3,2 mil novos projetos aprovados, o Brasil tem apenas 221. "Temos que garantir a continuidade dos investimentos. Não adianta apenas termos saído na frente", considera.

No Brasil, o biocombustível foi defendido como melhor alternativa entre os renováveis pelo consultor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Alfred Szwarc. "Do caldo da cana por se extrair etanol, butanol, diesel equivalente e querosene de aviação equivalente. Do bagaço e da palha, saem energia para térmica a gás e da vinhaça o biogás", enumerou.

Segundo ele, as tecnologias adotadas no país permitiram que a adoção do etanol em veículos "flex" evitasse a emissão em cerca de 160 milhões de toneladas de CO2 de 2003 até hoje. "Para continuarmos avançando em sustentabilidade, precisamos desenvolver outra matriz de transporte. Não dá para transportar toda nossa produção por caminhões", afirmou.

Já no setor elétrico, a expansão do sistema demanda investimentos constantes. Entre 2003 e 2010, a luz elétrica chegou a mais 26 milhões de pessoas e deve alcançar mais 16 milhões durante a gestão da presidente Dilma Rousseff. "Isso aumentou a demanda energética em 10%, o que equivale a uma usina de Itaipu a cada dois anos. Os novos projetos são essenciais para suprir o aumento do consumo energético", afirmou Szwarc.

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Altino Ventura Filho, a matriz energética brasileira comporta os novos consumidores com "tranquilidade" e dá base para o desenvolvimento econômico. "Temos energia chegando a quase 100% dos brasileiros, com uma matriz segura, competitiva e sustentável, com 80% da geração vindo de hidrelétricas. Isso é resultado de planejamento e política de longo prazo", destacou.

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Fonte: Valor |  Por Guilherme Soares Dias | De São Paulo

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