Redução de custo reforça o potencial dos ventos

A energia eólica deixou de ser considerada uma fonte alternativa e cara no Brasil, onde há um cenário de franca expansão dessa matriz energética, apontada como uma das mais limpas. Aliada às condições climáticas favoráveis, principalmente no Nordeste e no Sul do país, a redução dos custos de produção tornou o setor atraente não apenas para as empresas que geram energia, mas também para os grandes fabricantes globais de equipamentos eólicos, que encontram no Brasil um mercado mais promissor do que outros consolidados, como a Europa Ocidental.

"A energia eólica está inserida definitivamente na matriz enérgica brasileira", afirma a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo. Para a executiva, a questão ambiental (com o crescimento do uso de energias renováveis), as condições favoráveis para o uso no Brasil e o fator econômico, com o barateamento dos projetos, foram decisivos para a consolidação do quadro positivo do setor no país.

A presidente da Abeeólica ressalta que os investimentos em tecnologia fizeram com os preços dos equipamentos caíssem. Além disso, lembra ela, a conjuntura internacional de desaquecimento econômico, em especial na Europa, provocou cortes de projetos de expansão e de subsídios no setor de energias renováveis. Resultado: ociosidade no parque mundial de fabricantes e a consequente pressão de redução nos preços.

"Em 2004, o custo de geração de cada MWh era de R$ 6,4 milhões. Atualmente é de R$ 3,4 milhões, o que tornou a expansão do setor economicamente viável", destaca a executiva. Ela ressalta que as diferenças de custos da eólica em relação à energia hidrelétrica, que anteriormente eram grandes, foram reduzidas nos últimos anos. Em 2005, o megawatt-hora (MWh) eólico custou R$ 306 e em 2011 chegou a R$ 102, preço próximo ao da fonte hídrica.

Entre 2005 e 2011, dos 64 mil MW contratados nos leilões de energia, 10%, ou 6.750 MW, referem-se a projetos eólicos. Em 2005, o Brasil detinha dez usinas eólicas, com 28 MW. Neste ano estão em operação cerca de 1500 MW, sendo que 1200 MW estão em construção e outros 6000 MW em contratos, devendo entrar em operação até 2016, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética (EPE).

Conforme a presidente da Abeéolica, com esses investimentos, a expectativa do setor é que a participação da energia eólica na matriz energética salte dos atuais 1,4% para 5% em 2014, quando todos os parque eólicos já estiverem operando. A meta, segundo ela, é manter a contratação de 2 mil megawatts (MW) anualmente.

"O Brasil tem hoje um dos menores custos do mundo de geração de energia eólica", aponta o diretor do Centro Brasileiro de Energia e Mudanças Climáticas (CBEM), o pesquisador Osvaldo Soliano Pereira. Ele lembra que há outro fator importante para promover a expansão da energia eólica no Brasil: as restrições cada vez maiores que os grandes projetos hídricos no que se refere à questão ambiental. "Há uma dificuldade crescente nos licenciamentos ambientais dos grandes projetos de hidrelétricas, o que favorece o uso de outras energias renováveis", diz Pereira.

De acordo com dados de dezembro de 2010, o Brasil ocupa a 21ª posição em termos de capacidade instalada de energia eólica. O lider do ranking é a China e em seguida vêm os EUA, Alemanha, Espanha e Índia. Mas o Brasil deve ganhar várias posições rapidamente, já que perde somente para China e a Índia no ritmo de expansão de energia eólica, afirma Elbia.

O Brasil também está entre os países mais atraentes para a realização de novos investimentos no setor. De acordo com o estudo "Renewable energy country attractiveness indexes", publicado em maio pela Ernst & Young Terco, o Brasil está em 11º entre os países mais atraentes nessa área, cinco posições acima do mesmo período do ano passado e uma posição abaixo do levantamento feito no trimestre anterior. "Houve uma variação suave em relação ao trimestre anterior, mas isso não significa que a médio e a longo prazo o cenário deixou de ser muito positivo para a energia eólica no país", afirma Luiz Claudio Campos, sócio de transações da Ernst & Young Terco.

Há uma série de novos investimentos programados para a produção de equipamentos eólicos no Brasil. A alemã Fuhrländer, por exemplo, iniciou a construção de uma fábrica de aerogeradores na cidade de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza (CE). A fábrica tem investimento previsto de R$ 15 milhões em sua primeira fase. Se for ampliada, a unidade poderá receber aportes de mais R$ 30 milhões. A previsão é começar a produzir no início de 2013.

No mesmo Estado, a dinamarquesa Vestas está iniciando a produção de sua fábrica localizada na cidade de Maracanaú. Com investimento de R$ 28,4 milhões, é a primeira unidade da empresa na América Latina. A divisão de energia da GE também assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia para instalar uma fábrica de turbinas, com investimentos ao redor de R$ 45 milhões.

Fonte: Valor | Por Paulo Fortuna | Para o Valor, de São Paulo

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