Recuperação dos canaviais pode custar R$ 6 bilhões ao setor sucroenergético do Centro-Sul do país

Fonte: Canal Rural |  Agência Estado | Eduardo Magossi

Crise mundial e dois anos de clima adverso causaram a redução da produção para 533,5 milhões de toneladas de cana
O setor sucroenergético vai demorar pelo menos três safras para reocupar a capacidade industrial das usinas do Centro-Sul, atualmente de 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, que está ociosa em pelo menos 100 milhões de toneladas.

A crise econômica mundial e dois anos de clima adverso – alternando extensos períodos de chuva com estiagem – foram suficientes para reduzir a produção de cana da região para 533,5 milhões de toneladas, de acordo com a mais recente estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

– Serão necessários investimentos de R$ 6 bilhões apenas no plantio de cana para que o setor opere com capacidade plena – explica o diretor comercial especializado no setor sucroalcooleiro do Itaú BBA, Alexandre Figliolino.

Embora muitas empresas já estejam investindo na ampliação de seus canaviais, estes aportes não apresentarão resultado no curto prazo. A variedade de cana-de-açúcar com menor prazo de maturação demora 12 meses para ser colhida.

– Está havendo um esforço grande de reforma de canaviais. Todos os grupos estão investindo em cana – afirma o economista Plínio Nastari.

Empresas como Raízen, São Martinho, Guarani, Bunge e Shree Renuka anunciaram recentemente investimentos expressivos na recomposição de seus canaviais.

Nastari lembra, no entanto, que a disponibilidade apertada de cana atual não é mais uma questão apenas financeira, mas também agronômica, fator que restringiu o plantio nas duas últimas safras.

Preços

Apesar dos investimentos dos produtores, o executivo adverte que o esforço será insuficiente para gerar um excesso de oferta capaz de afrouxar os atuais preços do açúcar e do etanol, que devem seguir elevados nos próximos três anos.

No caso do mercado interno do etanol, isso significa que as cotações não cairão para níveis muito baixos durante a safra, mas também não deverão subir de forma expressiva durante o período de entressafra.

O economista avalia que a expansão da utilização do etanol no país vai voltar a crescer, mas de forma mais lenta.

– Em 2010, o etanol já substituiu 44,5% da gasolina no Brasil, um valor que é excepcional. Nos Estados Unidos, o programa de etanol substitui apenas 10% da gasolina – aponta Nastari.

Segundo ele, a utilização do etanol como combustível vai ultrapassar os 50%, mas não há espaço para que um crescimento maior ocorra.

– O preço da gasolina é um teto para o consumo do etanol e, enquanto o preço do etanol é volátil, os valores da gasolina seguem inalterados artificialmente há cinco anos – disse.

Cálculos do pesquisador do Centro de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Leonardo Zílio, revelam que, de 2007 a 2010, os custos de produção agrícolas e industriais do etanol anidro subiram 35,13% em termos nominais.

Na prática, esses custos precisariam ser repassados para o consumidor para remunerar o produtor, mas, com o preço da gasolina sempre atuando como teto para o preço do etanol, a margem do produtor está desaparecendo. Zílio informa que, em 2010, o custo de produção de anidro estava em R$ 1 por litro.

 
AGÊNCIA ESTADO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *