Recorde com resultado positivo também no Sul

Para o recorde de mais de 20 milhões de toneladas estimado para a produção de soja no Rio Grande do Sul, pesou também o desempenho positivo obtido na Metade Sul. A região, que se consolidou como a nova fronteira agrícola do grão, tem no clima habitualmente mais seco um de seus maiores desafios. A pedido da coluna, a Emater mapeou os resultados de produtividade nas regionais de Pelotas e de Bagé (veja ao lado).

Em Pelotas, onde a área cultivada soma 426,6 mil hectares em 22 municípios, os 2.775 quilos esperados por hectare (46,25 sacas) são o melhor desempenho em 12 anos. Resultado de técnica, tecnologia e qualificação, avalia Evair Ehlert, engenheiro agrônomo responsável pela área de grãos na regional da Emater.

Ainda é um rendimento inferior à média estadual (estimada em 3.326 quilos por hectares) e às produtividades obtidas no Norte. Mas evidencia avanço em área de clima e solo singulares, que "não podem ser comparados":

– Os produtores daqui estão se profissionalizando. E os que vêm de fora, aprendendo.

E se a probabilidade de estiagens mais severas e o solo com menor capacidade de uso são obstáculos, há vantagens, como a proximidade com o porto de Rio Grande, o que ameniza os gastos com frete. Outro fator que tem "entrado bem", explica o agrônomo, é a rotação com áreas de arroz irrigado. O incremento anual de área tem ficado entre 2% e 5%. Há uma década, a área era inferior a cem mil hectares. O momento de bons preços e produtividades traz a expectativa de uma injeção de cerca de R$ 3 bilhões, só em faturamento, à economia local.

Na regional de Bagé, onde estão 20 municípios, o salto da oleaginosa é ainda maior: são cerca de 840 mil hectares cultivados, ante 260 mil, crescimento de 223% sobre 2010, conforme dados da Emater. Avanço que se deu em áreas de pastagens e de arroz, observa o engenheiro agrônomo da instituição Neimar Damian Peroni.

Ele reforça que as perspectivas para a colheita da atual safra "são muito boas", à exceção de problemas pontuais em São Borja e Maçambará, na Fronteira Oeste:

– Do final de novembro até agora não ficou devendo chuva para nenhuma outra região.

A evolução dos resultados, acrescenta, veio com o uso da tecnologia, a adaptação de cultivares e a capacitação, impulsionada pela migração de produtores de outras áreas e também de empresas, que se instalaram na região para dar suporte ao cultivo do grão.

Mutirão para "salvar a lavoura" após chuva de granizo

Com o objetivo de evitar a ampliação das perdas, após a ocorrência de granizo, produtores de Palmeira das Missões, no Noroeste, fizeram um mutirão para colheita. Com registro feito em vídeo, a propriedade da família Sandri chegou a ter nove máquinas trabalhando.

Cristiano Sandri relata que as pedras de granizo eram "de tamanho médio e pequeno", mas caíram em grande quantidade por cerca de 10 minutos. Nas áreas afetadas, o fenômeno reduziu o potencial por hectare, de 85 a 90 sacas para 10 a 20. Diante dos estragos, pediram ajuda para agricultores menos atingidos.

Na quinta-feira, com o reforço recebido, colheram 85 dos 200 hectares cultivados. Sandri conta que, sem a ajuda, levariam em torno de três a quatro dias.

O auxílio também foi motivado por publicação nas redes sociais, feita pelo engenheiro agrônomo e produtor Gustavo Heller Nietiedt, que é vizinho. Ele explica que o fenômeno gera danos diretos, fazendo as vagens abrirem e os grãos caírem, mas também indiretos, já que o processo segue ocorrendo nos dias seguintes, à medida que o sol seca a planta, aumentando as perdas.

O escritório municipal da Emater recebeu três relatos de prejuízos por conta do fenômeno, ocorrido na quarta-feira, com perdas pontadas de até 80% na produtividade estimada.

NO RADAR

A entrega do primeiro lote de carros que reforçarão o trabalho das inspetorias veterinárias do Interior do Estado foi marcada por ato simbólico na sexta-feira. A renovação da frota é um dos ajustes solicitados pelo Ministério da Agricultura na busca do RS por novo status sanitário em relação à aftosa. Foram 65 de um total de 93 veículos a serem adicionados.

Decisão do STJ manda dar continuidade às cobranças das diferenças do Plano Collor em operações de crédito rural. a determinação atende a pedido de sociedade rural brasileira e federarroz, representadas pelo advogado Ricardo Alfonsin, em Ação Civil Pública. têm direito a receber valores produtores que tinham financiamentos indexados pela poupança em aberto em março de 1990.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *