Reciclar latinhas é um bom negócio, além de sustentável

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Nilson Souza: plano de metas da Alcoa prevê redução do impacto ambiental em todas suas atividades produtivas

Além de exemplo de sustentabilidade, a reciclagem das latinhas é um excelente negócio. As empresas que se dedicam à produção de alumínio investem em eficiência por meio de processos mais limpos, que reaproveitam os insumos e reduzem o consumo de energia, água e emissões de carbono. Exemplo disso é a Alcoa, que introduziu no país o GHG Protocol, metodologia para medir as emissões de gases estufa. A empresa estabeleceu um plano de metas, que denominou Estratégia Global de Sustentabilidade – 2020. O projeto prevê a redução do impacto ambiental das atividades produtivas em todos os países em que atua.

No Brasil, além de aprofundar essas ações, a companhia pretende manter diálogo com outras empresas para definir modelos mais sustentáveis de produção. "A intenção é buscar conexões não necessariamente ligadas à indústria de alumínio, mas que tenha objetivos comuns", diz o engenheiro Nilson Souza, diretor de Sustentabilidade da Alcoa América Latina & Caribe.

Foi assim que um acordo com a unidade da Ambev na Alumar – complexo de produção de alumínio primário e de alumina no Maranhão -, formado pela Alcoa, BHP Billiton e Rio Tinto Alcan, permitiu à companhia avançar na meta de reduzir em 25% o uso de água até 2030. Por esse acordo, a Alumar passou a reaproveitar os efluentes tratados pela Ambev na refinaria de alumina, onde a água é usada para lavar a solução de dióxido de alumínio e soda cáustica. Com isso, o complexo deixou de captar água subterrânea e passou a consumir aquela que seria descartada no meio ambiente. Segundo os cálculos da Alcoa, deixou de gastar por dia mais de 2.100 m³ de água.

Outro projeto que segue a mesma linha é a transformação dos resíduos da refinaria de Alumar em insumo para fabricação de cimento em parceria com empresas do setor. Além de reduzir custos com transporte e armazenamento desses resíduos, a empresa deu um fim sustentável a 45 mil toneladas de cinzas da fábrica, diminuiu a emissão de particulados nas áreas internas e deixou de emitir CO2 no transporte. No plano da responsabilidade social, a Alcoa planeja criar oportunidades de negócio para o Projeto Juruti Sustentável, que acompanha a extração de bauxita (matéria-prima do alumínio) no município paraense de Juruti.

Naquela localidade, a companhia desenvolve o Fundo Juruti Sustentável, com o objetivo de financiar empreendimentos que promovam a melhoria das condições ambientais e de qualidade de vida da população, estabelecendo parcerias com outras empresas interessadas em matérias-primas da natureza amazônica.

"Entendemos que esse diálogo sustentável com outras empresas é uma oportunidade interessante em que todos saem ganhando", diz Souza. Como exemplo, cita a fábrica de Poços de Caldas (MG), que converteu caldeiras e calcinadores de óleo combustível para gás natural, o que reduziu as emissões de CO2 em 31% e suprimiu as emissões de dióxido de enxofre. Para isso, estabeleceu uma parceria com a Companhia de Gás de Minas Gerais para a construção de gasoduto de 110 quilômetros que também deu origem a outros projetos regionais de acesso ao gás.

O consumo intensivo de energia é o maior fantasma que assola a indústria de alumínio e, por isso, a Novelis investe na reestruturação de sua unidade em Pindamonhangaba (SP), onde trocou fornos antigos por novos de gás natural, além da melhoria de processos. "Como só utilizamos material reciclado, também reduzimos muito o consumo de energia que seria usado para fundir o material gerado desde a mineração", diz Rogério Almeida, vice-presidente de operações da Novelis América do Sul.

A empresa tem meta de reduzir em 30% o uso de energia por tonelada de laminados de alumínio até 2020, bem como as emissões de carbono em 50%, investindo principalmente no reaproveitamento do material.

Outra preocupação que envolve a indústria do alumínio é o impacto ambiental da mineração. A Mineração Rio do Norte reduziu os danos da atividade na Floresta Nacional Saracá-Taquera, oeste do Pará, com a busca de tecnologias para o reflorestamento das áreas exploradas, tornando-se referência no setor. "Não se trata de recuperar a vegetação, mas estabelecer uma cadeia de ações ambientais levando em conta fauna, flora, solo e a interação entre eles", afirma a gerente de controle ambiental Milena Moreira. "Além disso, é importante frisar que estamos falando sobre estudos na Amazônia, região sobre a qual ainda não se tem muitas informações."

Milena explica que a Rio do Norte tem uma equipe multidisciplinar envolvida na recuperação das áreas de minas, além de parcerias com o Ibama e universidades e realiza o monitoramento físico-químico e biológico das águas de rios e igarapés; da qualidade do ar; do nível de ruído; dá destinação adequada aos resíduos, faz o resgate de fauna que inclui até as abelhas, e tem um banco de germoplasma de castanheiras. Com isso, já reabilitou cerca de 4.500 hectares de áreas mineradas, onde foram plantadas 9,2 milhões de mudas de 450 espécies arbóreas nativas. "O interessante nesse processo é que nada é feito de forma isolada", lembra Milena. "O reflorestamento é só o passo inicial." Ela conta que além de usar o que há de mais novo em pesquisas ambientais, essas atividades também levam em conta as relações com as comunidades para uma gestão sustentável. Um exemplo é a produção de peixes que se tornou fonte de renda, além de ser parte do monitoramento da qualidade dos rios.

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Fonte: Valor | Por Martha San Juan França | Para o Valor, de São Paulo

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