Receita da 3corações deve aumentar, mas em ritmo mais lento

Pedro Lima, presidente da 3corações, diz que empresa deve se tornar vice-líder no mercado de café solúvel do Brasil
Após um crescimento de pouco mais de 8% em seu faturamento bruto em 2015, o ritmo de avanço do grupo 3corações deve ter uma pequena desaceleração este ano. A empresa, que acaba de anunciar a aquisição de marcas de café e derivados da Cia Iguaçu de Café Solúvel, espera uma receita de R$ 3,2 bilhões, 7% acima dos R$ 2,988 bilhões de 2015, de acordo com o presidente Pedro Lima. Além de café torrado e moído, solúvel e em cápsulas, a 3corações produz refrescos, achocolatados, derivados de milho e temperos.

No ano que passou, parte do crescimento da 3corações veio da expansão nas vendas de café torrado e moído, que aumentaram 4,5% a 5% em volume no ano passado, segundo Lima. A empresa também ampliou a comercialização de cápsulas de café e de máquinas da chamada solução TRES para as cápsulas. Só a receita com os equipamentos somou R$ 150 milhões, diz.

O cenário esperado para este ano é semelhante. "O crescimento na receita em 2016 deve vir do café torrado e moído. Cápsulas e máquinas também devem contribuir", afirma.

Embora admita que o segmento de "cápsula esfriou um pouco" no país, o executivo acredita que as vendas do produto vão continuar a avançar. "Esperamos vender acima de 200 mil máquinas este ano". Hoje são 400 mil máquinas em operação. Para as cápsulas, a previsão é alcançar vendas de 6 milhões por mês. Em 2015, foram, em média, 5 milhões a 6 milhoes de cápsulas mensais, segundo Lima.

Conforme o presidente da 3corações, "não houve queda brusca [nas vendas de cápsulas], mas o consumidor está mais comedido na hora de comprar. Assim como está comedido para outros produtos". Sem mencionar números, ele afirma existir " uma sinalização da Nielsen de queda" no segmento de cápsulas.

Hoje, as cápsulas comercializadas pela 3corações são importadas da Itália – blends com cafés brasileiros são encapsulados naquele país-, mas a partir do fim deste ano a empresa começará a produzir na fábrica que constrói em Montes Claros (MG).

A unidade, que demandou investimento de R$ 45 milhões, terá capacidade de produção de 10 milhões de cápsulas mensais, numa primeira fase, e deve começar a operar no fim do ano, segundo Pedro Lima.

A fábrica de cápsulas em Montes Claros deve dar à 3corações mais competitividade para crescer num mercado relativamente novo. Mas a empresa também está de olho em mercados mais tradicionais, como o de café solúvel, por isso adquiriu as três marcas – Iguaçu, Cruzeiro e Amigo – da Iguaçu, que é controlada pela japonesa Marubeni. O negócio está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Com a aquisição, anunciada há dez dias, a 3corações deverá ter uma participação de quase 30% do mercado de café solúvel no Brasil, tornando-se vice-líder, atrás da Nestlé, que tem o Nescafé. "É um movimento importante para a 3corações se tornar vice-líder em solúvel", observa Lima. Segundo ele, o negócio deve agregar R$ 90 milhões por ano ao faturamento da companhia. "Mas há potencial para mais". Com as novas marcas, o negócio de solúvel vai representar 6% a 7% da receita da 3corações.

Além da aquisição das marcas – negócio cujo valor não foi divulgado -, a 3corações também fez um acordo de longo prazo com a Iguaçu para o fornecimento do café solúvel que será comercializado com as três marcas.

"Surgiu essa oportunidade [de negócio] com a Iguaçu com quem já tínhamos parceria", afirma o presidente 3corações. A empresa, que tem sede em Cornélio Procópio (PR) já produzia parte do café solúvel que a 3corações vende, explica.

Agora, a 3corações vai atuar no mercado doméstico com três marcas de café solúvel: Santa Clara, 3corações e Iguaçu. Já as marcas Amigo e Cruzeiro serão comercializadas em países da América Latina, como a Iguaçu vinha fazendo até agora.

Com a venda das marcas de varejo para a 3corações, a Iguaçu irá se concentrar no negócio que é seu core business, o B2B, afirma Fábio Sato, diretor comercial da empresa controlada pela Marubeni. Segundo ele, até então 12% da produção da Iguaçu era destinada às marcas do varejo que foram vendidas, 8% ao mercado institucional (food service) e quase 80% à exportação.

Conforme Sato, a empresa exporta café solúvel a granel (em embalagens de 20 e 40 quilos) para clientes que embalam para vender com suas marcas ou vende para empresas que comercializam com marcas próprias. Nesse último caso, o produto é exportado pronto para ir à prateleira.

O executivo observa que o acordo de fornecimento assegura a oferta de café para a 3corações. Já para a Iguaçu, é garantia de venda do produto. O contrato só envolve a produção de café solúvel, explica. Ele acrescenta que o contrato de venda das marcas de café prevê que a Iguaçu não poderá competir com a 3corações no varejo.

O grupo 3corações é resultado da joint venture, feita em 2005, entre a São Miguel Holding, da família Lima, e a israelense Strauss, que detinha a marca Três Corações desde o ano 2000. A 3corações também é dona das marcas Itamaraty e Kimimo, entre outras.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor

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