Reabertura da UE a pescados fica para o segundo semestre

Um ano depois do embargo da União Europeia (UE), o Ministério da Agricultura ainda tenta reabrir o mercado do bloco para as exportações brasileiras de pescados. Os europeus decidiram proibir as compras dos produtos brasileiros após uma missão técnica realizada em 2017 detectar irregularidades sanitárias em embarcações.

O fim do embargo depende da aprovação pelos europeus de um plano de ação, uma espécie de roteiro com as garantias sanitárias que o Ministério Agricultura do Brasil se compromete a entregar para reconquistar aquele mercado — o documento já foi entregue por duas vezes ainda no ano no passado, mas Bruxelas exigiu ajustes em 2019. Há uma semana, o ministério encaminhou a nova resposta.

A fim de que as companhias brasileiras retomem as exportações de pescados, a União Europeia também precisa enviar técnicos de seu serviço sanitário para inspecionar embarcações e fábricas brasileiras. No fim do ano passado, houve essa sinalização, mas até agora não há uma data prevista para essa missão técnica.

"O assunto está bem encaminhado e maduro para caso os europeus queiram levantar as barreiras", afirmou, em entrevista ao Valor o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Orlando Ribeiro.

Apesar dos movimentos do governo brasileiro para retirar o embargo, a indústria de pescados acredita que, na melhor das hipóteses, a retomada das vendas ao bloco europeu ocorrerá no segundo semestre deste ano.

O longo período sem exportar vem provocando prejuízos, disse o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo. Segundo ele, mesmo após o embargo as indústrias mantiveram as compras de matéria-prima, destinando um maior volume de pescados para o mercado interno. A esperança era que o veto europeu duraria, no máximo, seis meses.

"Só que por conta do embargo, 400 embarcações de atum no Nordeste ficarão paradas nos próximos 60 dias e isso significa 2 mil empregos desativados", disse Lobo. "O Ministério tem feito auditorias frequentes, preparando as indústrias para uma auditoria europeia, mas o primeiro semestre já está perdido", disse.

As vendas para a União Europeia são de extrema importância. Os embarques para o bloco — em torno de US$ 40 milhões em 2017 –já chegaram a representar cerca de 30% de todas as exportações brasileiras de pescado.

Do lado do Ministério da Agricultura, os esforços para reabrir o mercado europeu podem incluir uma viagem da ministra Tereza Cristina a Bruxelas ainda neste mês para tratar do assunto, de acordo com fontes. A ministra poderia antecipar a viagem que realizará ao Oriente Médio e Ásia para incluir a Europa na agenda.

Uma viagem da ministra sinalizaria uma evolução na relação com os europeus, que foi muito abalada nos últimos anos, sobretudo após a Operação Carne Fraca, que colocou em xeque a credibilidade do sistema sanitário brasileiro. O embargo aos pescados, aliás, se deu após a Trapaça, terceira fase da Carne Fraca que ocorreu em março de 2018.

Antes da Trapaça, o Ministério da Agricultura vinha tomando medidas para evitar o embargo aos pescados. Em janeiro do ano passado, o órgão chegou a suspender, por precaução, as exportações de pescado depois de vários alertas europeus questionando a falta de cuidados sanitários em embarcações brasileiras. Em junho, no entanto, a Comissão Europeia declarou o embargo às 59 plantas que estavam aptas a exportar pescados ao bloco.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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