Área plantada de trigo deve recuar no Paraná

O Paraná, que lidera a produção de trigo no país, deu início à semeadura da safra 2016, na semana passada, com uma perspectiva de redução de área, por conta sobretudo de um maior interesse de agricultores do norte do Estado em apostar no milho safrinha.

Segundo a Ocepar, que representa as cooperativas paranaenses, a área de trigo será 5% menor que a cultivada em 2015, quando somou 1,3 milhão de hectares.

Robson Mafioletti, engenheiro agrônomo e coordenador técnico da Ocepar, explica que, além de ter mais liquidez que o trigo, o milho está com preços mais atrativos. E essa equação influencia a decisão do produtor, que tem condições de solo e clima para plantar ambas as culturas na safra de inverno. O norte paranaense responde por cerca de 40% da área de trigo do Estado.

Neste momento, a diferença de preços entre a saca de trigo e a de milho está muito pequena. Ontem, a de trigo foi vendida no Paraná, em média, por R$ 39,83 – 17% acima dos R$ 34,06 da saca do milho, conforme dados do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Estado (Deral). Há um ano, o trigo valia 46,3% mais.

Além disso, segundo Mafioletti, o preço do trigo está muito próximo do custo de produção, o que torna a opção pela cultura ainda mais arriscada. "Estamos num momento de grande instabilidade política. Se cair esse governo, a tendência é o dólar recuar. Com isso, o preço do trigo também se desvaloriza", avalia o coordenador técnico da Ocepar.

O cenário de redução do plantio de trigo só deve mudar se houver atraso na semeadura do milho de segunda safra no norte do Estado. Mafioletti observa que a definição sobre o trigo – cujo plantio segue até meados de junho – vai depender da conclusão do cultivo de milho safrinha no Estado, cuja "janela" ideal de cultivo vai se fechar em cinco dias.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

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