Razões seriam mais comerciais do que sanitárias, diz analista

Fernando Iglesias, analista especializado no setor de frigoríficos da consultoria Safras & Mercado, avalia que a medida chinesa aparentemente seria mais com interesse comercial do que sanitário. A intenção poderia ter como foco a redução dos preços, especialmente da carne bovina, e não propriamente evitar uma possível nova onda da doença no país oriunda de importação de alimentos contaminados.

"É preocupante, mas aparenta ser uma estratégia para renegociar contratos. A China está pagando acima dos preços médios de mercado principalmente na carne bovina. Acima inclusive do que outros importadores", pondera Iglesias.

O economista comenta que os importadores chineses pagam até US$ 5 por quilo da carne bovina no Brasil enquanto outros compradores internacionais remuneram em cerca de US$ 3,9. Mas o especialista assegura, também, que os asiáticos não têm outras grandes alternativas de fornecedores e que ainda precisam de elevadas quantidades de proteína animal para sua segurança alimentar. O país já dizimou 45% de seu plantel de suínos em razão da peste suína africana nos dois últimos anos e aumentou a necessidade de carne brasileira.

"É um relação de codependência.

O Brasil depende das importações chinesas e os chineses dependem da carne brasileira, por mais que tenham aumentado seus estoques nos últimos meses.

E mesmo que tenha comprado mais da Argentina, por exemplo, os argentinos não têm nem próximo da nossa capacidade de produção", analisa Iglesias.

Fonte: Jornal do Comércio