Rabello lamenta não realização de AGE

A assembleia de acionistas que o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretendia realizar para deliberar sobre a apuração da atuação dos irmãos Batista e da administração da JBS não ocorreu por "motivos incompreensíveis", disse ontem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro. Ele, que deixará a presidência do banco no sábado, também reconheceu que questões relativas à JBS não foram encaminhadas como ele gostaria.

"Se dependesse do banco, teríamos assembleia geral extraordinária para investigar a atuação da administração da JBS", afirmou. Sem fazer uma alusão direta à decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Rabello de Castro disse que a assembleia não aconteceu por "interferência procrastinatória dos órgãos regulatórios". "Eles têm que colocar a cabeça no travesseiro e pensar se não estão colaborando para a inércia", afirmou.

Em agosto de 2017, o colegiado da CVM negou o pedido da BNDESPar para que o regulador impedisse os irmãos Batista de votar na assembleia. Os diretores da CVM concluíram que os próprios acionistas deveriam avaliar se estavam em situação de conflito de interesses com relação às deliberações. Se fosse o caso, deveriam se abster de votar. A reunião decidiria se a empresa deveria abrir um processo contra a direção, que tinha os Batista à frente. Depois disso, uma decisão judicial suspendeu a reunião. "Não conseguimos terminar essa prova. Eu gostaria de ter encaminhado este assunto de forma mais proativa", afirmou.

Rabello de Castro também disse que o investimento na JBS "é excelente" e negou a possibilidade de venda da fatia na empresa. "O banco não está avaliando nenhuma proposta para eventual aquisição de ações. A BNDESPar não vai se movimentar enquanto não alcançar o que alcançou numa Suzano ou Fibria, que é uma governança de classe mundial", disse. Ele acrescentou que não houve nada de errado na política de apoio do BNDES à JBS e que deu resultado

Por Juliana Schincariol e Bruno Villas Bôas | Do Rio

Fonte : Valor

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