MEIO AMBIENTE | Química verde avança e substitui insumos sintéticos

O uso de princípios da "química verde", que substitui insumos sintéticos e derivados petroquímicos por substâncias de origem vegetal, é um dos diferenciais competitivos da Oxiteno, companhia química brasileira do grupo Ultrapar com atuação em nove países. Um terço dos seus produtos utilizam ingredientes renováveis como mamona, coco, óleo de palma, soja e canola. A empresa desenvolveu um solvente a partir da cana-de-açúcar para aplicar na formulação do esmalte de unhas em lugar do tolueno, substância banida em diversos países por seu potencial cancerígeno. Em torno de 1,5% do faturamento anual – US$ 1,5 bilhão em 2013 – é destinado a pesquisa e desenvolvimento.

"Construímos ações sustentáveis em todas as etapas de nossa cadeia de valor", diz o gerente de meio ambiente e qualidade, Claudemir Peres. "No processo de aquisição de matérias-primas, por exemplo, há uma criteriosa seleção e aprovação dos insumos utilizados, assim como dos próprios fornecedores". A Oxiteno aplica em seus processos fabris a Análise do Ciclo de Vida de Produtos (ACV), técnica para avaliação dos aspectos ambientais e impactos potenciais desde a retirada da matéria-prima da natureza até a sua disposição final.

A cana-de-açúcar é também matéria-prima para uma inovação da Braskem, líder mundial na fabricação de biopolímeros: o polietileno derivado do etanol, ou "plástico verde". Uma avaliação do ciclo de vida do produto, realizada pela empresa em parceria com fornecedores, apontou que, para cada quilo produzido, são capturados 2,15 quilos de CO2. Oitenta por cento da energia consumida no processo é proveniente de fonte renovável. O estudo foi apresentado em dezembro de 2013 na 8ª Conferência Europeia sobre Bioplástico.

Startups dedicadas à química fina de produtos naturais têm chamado a atenção dos investidores. Um dos empreendimentos que despontam no mercado é Amazon Dreams, criada em 2002 por pesquisadores da Universidade Federal do Pará. A empresa desenvolveu um processo diferenciado de purificação de antioxidantes a partir de frutas e folhas da floresta amazônica. "Usando apenas água e bioetanol, alcançamos níveis de pureza entre 70% e 90%, algo que não foi atingido no mundo", diz o diretor executivo Afonso Ramôa Junior.

Há cinco anos a Amazon Dreams foi investida pelo fundo de capital semente Criatec, destinado a negócios com perfil inovador, que conta capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Única empresa da região Norte a fazer parte do portfólio do fundo, ela passou por um rigoroso processo seletivo em que a proporção de aprovações é de uma a cada 80 solicitações. Seu modelo de negócio contribui para a redução do desmatamento.

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Fonte: Valor |  MEIO AMBIENTE | Por Dauro Veras | De Florianópolis

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