QUESTÃO AGRÁRIA | Índios fecham estrada em Faxinalzinho

Sem uma resposta efetiva do Ministério da Justiça para a demarcação de terras em Faxinalzinho, indígenas voltaram a bloquear a estrada que liga o município a Benjamin Constant do Sul e corta a Reserva de Votoro por tempo indeterminado. Desde a morte de dois agricultores em confronto com índios, no dia 28, as aulas foram suspensas e o comércio funciona parcialmente. ‘A cidade está parada. O pessoal quase não sai de casa. As pessoas têm medo’, afirmou o vice-prefeito, James Ayres Torres. ‘É um problema a mais para o município.’

Durante a tarde, representantes do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o titular da Secretaria do Desenvolvimento Rural, Elton Scapini, e técnicos da Funai se reuniram para buscar uma alternativa à questão das demarcações. Ao final do encontro, que durou mais de duas horas, o assessor especial do ministério Marcelo Veiga informou que Cardozo receberá lideranças dos agricultores e dos indígenas no dia 22, em Brasília, para apresentar uma proposta. ‘Havendo acordo, dando tudo certo, em até 15 dias poderemos iniciar o processo e resolver os casos, sempre um de cada vez’, ressaltou. De acordo com Veiga, o governo federal está disposto a indenizar, compensar ou assentar os produtores que estejam em terras já demarcadas pela Funai. Scapini disse que o Estado está fazendo sua parte, indenizando agricultores desalojados de áreas colonizadas ilegalmente pelo Estado e disponibilizando terras para contribuir na solução do conflito.

Contrário à ideia de encontro em Brasília, o presidente da Federação das Organizações Indígenas do RS (Feorgi), Zaqueu Kaingang, sustentou que a reunião deve ser no RS. ‘É a quinta vez que o ministro marca audiência e não vem’, disse. Na avaliação do presidente da Fetag, Elton Weber, cabe esclarecer a forma de indenização. ‘Precisamos saber como isso se dará. Será em dinheiro? Será em títulos do governo?’, completou. Coordenadora da Fetraf-Sul, Cleonice Back se disse surpresa com a possibilidade de indenizar os agricultores. ‘Vão ter de nos explicar o que mudou’, disse. Procurado, o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, não quis comentar o caso.

Fonte: Correio do Povo

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