Quebra na safra de soja deste ano gera preocupação ao setor

O esmagamento da soja é um processo fundamental, pois é por meio dele que são extraídos os óleos vegetais para fabricação do biocombustível, além do farelo. De acordo com o relatório Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos de junho, desenvolvido pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2019/2020 a previsão era de o País esmagar 42,8 milhões de toneladas da soja, 600 mil toneladas a menos do que no período anterior de colheita.

No final de 2019, a Abiove informava que, em 2020, seriam esmagados 25 milhões de toneladas de soja para a produção de biodiesel. Não há dados precisos sobre a projeção de esmagamento no Rio Grande do Sul. Segundo a consultoria Safras & Mercado, a boa demanda observada nos leilões ajuda a elevar o esmagamento no País, que já é forte em razão das exportações de proteína animal, e por consequência o volume de farelo produzido. Mas a quebra da safra pode fazer com que os produtores brasileiros se voltem ainda mais para países vizinhos, como o Paraguai, em busca do grão.

Conforme dados da Emater e da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, apresentados no final de maio, a queda na produção gaúcha, ocasionada em grande maneira pela estiagem, foi de 45,8%, em especial na Metade Sul, passando da expectativa de 19,7 milhões para 10,6 milhões de toneladas. "O desafio é saber se teremos matéria-prima até a próxima safra, que só ocorre em março de 2021", diz o empresário Erasmo Battistella.

É no Paraguai que Battistel-la, líder também da ECB Group, sediado em Passo Fundo, busca empreender no momento. Conforme o site da companhia, o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, concedeu, em janeiro, regime de Zona Franca para o projeto Omega Green, construído pelo grupo e considerada "a primeira planta de bio-combustíveis avançados do Hemisfério Sul". O negócio, de US$ 800 milhões, ficará no distrito portuário e industrial de Villeta, na fronteira com a Argentina e a 45 quilômetros da capital do país, Assunção. A previsão é de injeção de US$ 8 bilhões na economia paraguaia em 10 anos.

O complexo deverá gerar 3 mil empregos diretos durante a construção, que começa neste semestre, e 2,4 mil após a finalização, estimada para daqui a 30 meses. A planta deverá produzir 20 mil barris por dia de diesel renovável (HVO) e querosene de aviação renovável (SPK). Mais de 20 mil famílias de pequenos agricultores devem se beneficiar com o empreendimento. Questionado pelo Jornal do Comércio sobre o projeto no Paraguai, Battistella preferiu não se manifestar.

Fonte: Jornal do Comércio

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