Quebra de safra reduz as exportações de fumo

Prejudicadas pela quebra da safra do Rio Grande do Sul, as exportações brasileiras de fumo processado renderam US$ 2,12 bilhões em 2016, queda de 2,87% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). Em volume, as exportações caíram 6,5%, para 483 mil toneladas.

Responsável por 99% da produção da matéria-prima para a indústria de cigarros, a região Sul do país exportou 481 mil toneladas de fumo no ano passado. A receita obtida com essas vendas diminuiu 2,78%, para US$ 2,09 bilhões.

Conforme o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, o que mais influenciou o desempenho das exportações foi a redução de 20% da produção de fumo na safra passada (2015/16), quando os fumicultores do país produziram 546 mil toneladas. No período, o excesso de chuvas afetou as lavouras da região Sul – especialmente no Rio Grande do Sul, Estado que responde por 80% da produção nacional.

Diante do tamanho da quebra de safra, a queda de 6,5% nos embarques de fumo não foi tão intensa. "Por conta da quebra na nossa safra, até prevíamos que o baque nas exportações fosse maior, de até 10%", disse o presidente do SindiTabaco. De acordo com ele, a manutenção do volume exportado à China e o fato de alguns países europeus terem aumentado as compras do produto brasileiro contribuíram para que as vendas externas ficassem acima do esperado no ano passado.

Nesse contexto, o Brasil se manteve como maior exportador mundial de tabaco (especificamente de fumo processado, não inclui cigarros), posto que ocupa desde 1993.

Segundo os dados divulgados ontem pelo SindiTabaco, a Bélgica manteve a liderança entre os principais clientes dos exportadores brasileiros, em receita. Em 2016, o país europeu gastou US$ 455 milhões com as importações de fumo brasileiro, crescimento de 15%.

Em seguida, aparece a China, que importou US$ 280 milhões (alta de 6%), e os EUA, que gastaram US$ 248 milhões, aumento de 10%. Ao todo, o fumo brasileiro foi exportado para 90 países em 2016.

Considerando as regiões do mundo, a União Europeia continuou sendo o principal mercado importador do fumo do Brasil, respondendo por 41% do volume embarcado. Extremo Oriente (28%), América do Norte (12%), Leste Europeu (7%), e África/Oriente Médio e América Latina (ambos com 6%) completam a lista.

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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