Quebra da safra de cana faz açúcar e etanol terem alta em plena colheita

Fonte:  Valor | Fabiana Batista | De São Paulo

O Centro-Sul do Brasil, que responde por 89% da cana processada no país, deve ter quebra de produção de 2,2 milhões de toneladas de açúcar e de quase 3 bilhões de litros de etanol nesta safra 2011/12, segundo dados divulgados pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

Ontem, em pleno pico de safra, o etanol hidratado (que abastece os veículos) posto em Paulínia (indicador Esalq/BM&F) teve a terceira alta consecutiva, com alta de 0,51%, a R$ 1.182,50 o m3, o que já significa um preço 35% maior do que em igual período de 2010. O preço do açúcar cristal também subiu 0,41% (indicador Cepea/Esalq) e já acumula neste mês uma valorização de 11,94%. Em relação ao mesmo período de 2010, a alta é de 58%.

Usinas, distribuidores de combustíveis e integrantes do governo anteciparam o início das reuniões de monitoramento de estoques, normalmente feitas um pouco antes da entressafra, para esta semana, diz Alísio Mendes Vaz, diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).

Além de uma moagem de cana 4,21% menor do que a temporada passada, o setor vai precisar administrar estoques em uma entressafra que tende a ser maior. Já se estima que a moagem deve terminar mais cedo e ser finalizada entre o fim de outubro e início de novembro, quando o normal é dezembro.

Mas as estatísticas, afirma o executivo, indicam que o consumo de etanol vai ficar "razoavelmente" compatível com a produção. A margem de "folga" vem do fato de que entre abril e junho, o Sindicom contabilizou um consumo de hidratado 1,4 bilhão de litros menor do que em igual intervalo do ano passado.

A projeção do Sindicom é de que a demanda total de etanol (anidro e hidratado) em todo o Brasil caia nesta safra para 22 bilhões de litros, ante os 22,7 bilhões demandados na safra passada. Com a produção de 2 bilhões de litros esperada na região Nordeste, essa conta se equilibra, mesmo com uma exportação prevista pela Unica em 1,35 bilhão de litros, segundo Vaz.

Em sua última análise, feita em meados de junho, a consultoria Datagro previu que o país precisaria importar 770 milhões de litros do biocombustível para fazer frente à sua demanda. O número já estava bem acima do estimado para a safra passada (455 milhões de litros).

Mas o presidente da consultoria, Plínio Nastari, acredita que os volumes devem crescer. Isso porque há tendência de aumentar o consumo de gasolina C- que contém 25% de anidro – uma vez que a oferta de hidratado cai e seu preço tende a se valorizar mais.

Desconsiderando-se o fato de o Brasil ter tentado se tornar um grande exportador de etanol nos últimos anos, as importações do biocombustível pelo país não são significativas em termos de volume, levando em conta que a produção somente do Centro-Sul será de 22,54 bilhões de litros.

O diretor-técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, garante que apesar da queda nos volumes de hidratado, a produção de anidro não vai cair. "As usinas vão produzir 15,3% mais anidro – 8,55 bilhões de litros", diz.

Em outubro a Unica deve fazer outra revisão para confirmar ou não sua estimativa de quebra e contemplar o efeito das geadas nos canaviais, afirma.

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