QUALIDADE DO TRIGO GERA DIVERGÊNCIAS

O encontro para discutir o mercado para o trigo gaúcho, ontem, na Capital, expôs divergências sobre a qualidade do grão, mesmo após a evolução nos últimos anos. De um lado, análises da Embrapa e UPF, a partir de 497 amostras, indicam que 51,51% do cereal é considerado excelente (Tipo Pão e Melhorador). De outro, a Abitrigo garante que de 718 amostras coletadas em moinhos, só 14% atenderiam a exigência da panificação.

Segundo Marcelo Vosnika, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, ainda há muito a avançar nas variedades para atingir o patamar exigido pelo mercado. ‘A Abitrigo quer atender seus clientes e quem está exigindo do produtor é o mercado.’ O chefe da Embrapa Trigo, Sérgio Dotto, reforçou que o trigo gaúcho tem qualidade para atender o mercado, uma virada possível com sementes e tecnologia.

O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, sugeriu a segregação do grão, uma forma de valorização. A entidade fará estudo para saber quem separa e identificar os que se comprometem a produzir com essa finalidade. De acordo com o presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, a segregação só é viável se houver preço diferenciado. Ele reiterou a necessidade de remoção de pelo menos 400 mil t pela União.

O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, disse que só haverá intervenção se o preço subir. Hoje a tonelada ao produtor está entre R$ 580 e R$ 590. Geller antecipou que o governo está abrindo uma linha de crédito para que a indústria faça a armazenagem, com juro anual de 3,5% e prazo de 15 anos. De acordo com a Secretaria da Fazenda, até o dia 20, foram vendidas 743 mil toneladas para outros estados, somadas a outras 410 mil t para o Estado. Isso totaliza 1,15 milhão de t – equivalente a 35% – dos 3,1 milhões de toneladas da safra.

Fonte: Correio do Povo

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